Curitiba - A Detroit Diesel Motores do Brasil, empresa que se instalou na Cidade Industrial de Curitiba (CIC) em 1997, foi condenada a pagar com juros e correção monetária um empréstimo feito pelo governo do Estado no valor de R$ 9,8 milhões. A sentença é do juiz Jefferson Alberto Johnsson, da 4 Vara da Fazenda Pública, de Curitiba, que acatou ação civil pública proposta pelo Ministério Público Estadual e pela Procuradoria Geral do Estado (PGE). A defesa da empresa pode recorrer da sentença.
Em 1997, a Detroit conseguiu um empréstimo de R$ 9.806.288,40 do governo do Estado, para ser pago em uma única parcela em 31 de março de 2007, sem cobrança de juros ou correção monetária.
Na ação, o Ministério Público apresentou uma projeção que, em 10 anos, com uma taxa inflacionária modesta, de 6% ao ano, a variação inflacionária no País seria de 134,350%. Sem o pagamento da correção monetária a Detroit devolveria ao Estado, ao fim do contrato, apenas 43,59% em relação ao que emprestou.
Com a decisão judicial, a Detroit terá que pagar juros fixados em 4% ao ano, mais correção monetária com base no IGP-DI, desde a concessão do financiamento até o efetivo pagamento do empréstimo.
O procurador do Estado Sérgio Botto de Lacerda não considerou a sentença satisfatória aos cofres públicos. Segundo ele, mesmo com essa correção ao final de 10 anos, a Detroit estará pagando 40% do que emprestou do governo, disse. Botto de Lacerda não descartou a possibilidade da PGE recorrer da decisão para elevar o índice de correção. A disposição do governo do Estado, porém, é ver como a Detroit se comporta no cumprimento da sentença, ressaltou.
O MP começou a investigar o financiamento do governo do Estado para a Detroit a partir de uma outra denúncia, que se referia ao subfaturamento do terreno ocupada pela empresa na Cidade Industrial de Curitiba. No contrato, a empresa deveria pagar R$ 3,3 milhões na aquisição de dois terrenos, mas o valor pago efetivamente seria bem inferior ao fixado.
Na investigação dessa denúncia o MP não encontrou irregularidades, disse o promotor Adauto Salvador Reis Facco, e o processo foi arquivado. Mas na investigação do terreno, o MP localizou esse ''empréstimo'', que demonstra um favorecimento do governo do Estado na época, incentivo que não foi dado aos demais empreendimentos, lembrou Facco.
A Detroit Diesel Motores se instalou em Campo Largo em novembro de 1997 para produzir motores para as picapes Dakota, da montadora americana Chrysler, que se retirou do Estado cerca de um ano após sua inauguração. Na época o governador Jaime Lerner cumpria o seu segunda mandato.
O escritório de advocacia responsável pela defesa da Detroit é do ex-secretário da Fazenda do governo Lerner, Giovani Gionédis. A Folha procurou o escritório mas não obteve retorno nas ligações.

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