A temporada de anúncio e definição de novos investimentos industriais no Paraná, ao lado da proliferação de projetos de expansão e/ou modernização de empresas em operação no território estadual, ao longo dos últimos dois anos e meio, deve promover o fortalecimento e uma pronunciada diversificação de sua estrutura produtiva, por meio dos efeitos multiplicadores dinâmicos diretos e indiretos nos níveis de renda e emprego.
Essa nova fase de inversões produtivas vem sendo imputada à agressiva participação do governo estadual nos diversos rounds da ‘‘guerra fiscal’’, travada entre as principais unidades federativas brasileiras, no afã de garimparem novos empreendimentos.
Todavia, qualquer empenho em atrelar a presente arrancada econômica experimentada pelo Estado à força de atração exercida pelos favores fiscais e financeiros não resistiria a um exame mais apurado do panorama macroeconômico nacional - marcado pela necessidade de administração flexível na rota do Real e pela busca de condições objetivas à retornada do crescimento em bases duradouras - e da tendência de reconcentração inter-regional do fluxo de novos investimentos produtivos. Na verdade, no atual contexto de globalização dos mercados, de rápidas mudanças no paradigma tecnológico e de acirramento da concorrência interoligopólica, as vantagens fiscais não conseguem sobrepujar uma criteriosa avaliação microeconômica dos custos de instalação e funcionamento das plantas nas diferentes opções geográficas. Nesse sentido, o desenho de um cenário de profundas alterações no perfil produtivo do Estado está estreitamente ligado à sua forma de inserção no contexto de consolidação da estabilização dos investimentos em expansão e modernização da capacidade instalada no País.
No final das contas, o êxito agregado do Real restaurou um curso de redistribuição geográfica da expansão econômica, iniciado nos anos 70 e neutralizado nos anos 80 e começo da década de 90 ( em razão da recessão e abrupta abertura promovidas pelo governo Collor). Em outros termos, o Real abriu flancos para a consolidação de um autêntico desvio do eixo de concentração do mercado industrial do País, e para o aproveitamento de oportunidade em regiões contíguas, fortemente dotadas de equipamentos infra-estruturais.
Uma compreensão melhor do encaixe do paraná nesse movimento requer a adoção de alguns degraus sincronizados de interrupção empírica da teoria da localização industrial.
Em primeiro lugar, é importante considerar a reduzida viabilidade de expansão física industrial em alguns pontos saturados da faixa territorial polarizada pelas metrópoles do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, em virtude da progressão das deseconomias de aglomeração. Ou seja, os projetos de ampliação têm esbarrado nas despesas crescentes de escala, localização e urbanização, consequência da insuficiente oferta, da deterioração e elevados dispêndios de manutenção da infra-estrutura econômica e social, dos altos custos dos terrenos e mão-de-obra e da forte atuação dos sindicatos organizados.
Em segundo lugar, tais limitações induzem uma corrente de migração do crescimento industrial, rumo às áreas de porte médio e grande, próximas dos principais mercados provedores e consumidores do país e dos centros de consumo do Mercosul, dotadas de condições privilegiadas de infra-estrutura (ou com oferta potencial) de transportes (rodoviário, ferroviário e portuário), energia e telecomunicações.
Em terceiro lugar, emergem a posição geográfica estratégica do Paraná, em relação a São Paulo e ao Mercosul, e suas vantagens comparativas sistêmicas em termos de infra-estrutura. O mercosul aparece como importante frente para o incremento de intercâmbios comerciais ou mesmo dos fluxos de investimentos, mediante parcerias ou formação de joint ventures. Tanto é assim que sua participação nas exportações totais do Estado passou de 4,1% em 1990 para 14,9% em 1993, declinando para 10,6% em 1996, em função do pronunciado atraso cambial do Brasil e da recessão da Argentina desde 1995, como forma de adequação aos impactos da crise mexicana.
A competitividade infra-estrutural deve ser incrementada nos próximos anos em razão do aprimoramento da eficiência nas seguintes frentes:
a) rodoviária - contemplando as obras do Anel de Integração, a duplicação e restauração da ligação São Paulo-Curitiba-Florianópolis (BRS 116, 376 e 101) por parte do governo federal, e a construção das duas pontes sobre o Rio Paraná, articulando o Estado ao Centro-Oeste do país;
b) ferroviária - prolongamento da Ferroeste até Guaíra e Foz do Iguaçu, objetivado a articulação com a produção agrícola do Centro-Oeste e com o modal hidroviário argentino;
c) portuária - ampliação do cais, construção de novos terminais e reestruturação do corredor de exportações (silos e armazéns) Porto de Paranaguá, em sistema de arrendamento privado da operação em troca da realização dos investimentos fixos;
d) de telecomunicações - instalação de rede de fibras ópticas e de expansão da telefonia celular; e
e) energética - aumento da capacidade de geração, distribuição e transmissão de energia elétrica e perspectiva de abastecimento de gás natural, por meio do gasoduto do Brasil-Bolívia, com subestações de rebaixamnento da pressão nos principais centros industriais do Estado.

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