Detentos são os novos terceirizados
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de setembro de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
Em busca de lucros financeiros ou ganhos sociais, empresas privadas e órgãos públicos estão ampliando o programa de Canteiros de Trabalho desenvolvido pelo fundo penitenciário do Paraná. Atualmente, existem convênios entre 44 empresas e a Secretaria de Justiça para utilização da mão-de-obra dos detentos em diversos setores da economia. Desse total, 29 são de empresas privadas que vão desde a construção civil até a produção de peças para equipamentos eletrônicos, passando por uma fábrica de cimento.
Algumas empresas conseguem ganhar em produtividade e reduzir os custos de produção em até 30%. Outras têm custos financeiros maiores pois máquinas foram substituídas por trabalhadores manuais. Porém, nesses casos, o objetivo é prestar um serviço social aos presos. Independentemente dos resultados imediatos, todas as empresas que participam do canteiro de trabalho penitenciário recebem benefícios federais.
Para os detentos, também há vantagens. Além de um salário-mínimo por mês de trabalho, para cada três dias trabalhados eles conseguem a remissão de uma dia de pena. Segundo o coordenador do Departamento Penitenciário (Depen) do Paraná, Lauro Valeixo, cerca de 80% da população carcerária do Estado, que é de 4,3 mil pessoas, participa de um canteiro de trabalho. Só no complexo penitenciário de Piraquara são mais de 900 presos trabalhando dentro ou fora do sistema, conta.
Segundo Valeixo, o Paraná está na vanguarda da ocupação de internos, conhecido por laborterapia. Ele explica que os convênios com empresas e órgãos públicos têm duas funções principais. A primeira é manter os internos com algum tipo de ocupação. Além disso, o trabalho profissionaliza o detento, o que é fundamental para a sua reintegração à sociedade.
O Depen pretende ampliar o número de frentes de trabalho para a população carcerária do Estado. Existem dois projetos em análise. Um prevê o uso de internos da Colônia Penal Agrícola em um viveiro de mudas da Fundação Boticário. O outro, mais amplo, é com a Central de Abastecimento S/A (Ceasa). O objetivo será implantar na área da Colônia Penal, que possui 360 alqueires, uma grande área de hortifrutis.


