Desvalorização sucessiva do dólar marca retomada da economia em Foz do Iguaçu
Cenário positivo para compras no Paraguai alavanca turismo na tríplice fronteira; moeda americana encerrou a semana em R$ 4,77
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de junho de 2023
Cenário positivo para compras no Paraguai alavanca turismo na tríplice fronteira; moeda americana encerrou a semana em R$ 4,77
Bruno Soares Especial para a FOLHA 

Responsável por ⅔ da receita própria de Foz do Iguaçu, realidade semelhante às cidades vizinhas de Ciudad del Este (PY) e Puerto Iguazú (AR), o turismo da tríplice fronteira mais movimentada da América Latina vive seu apogeu desde o início do período pós pandemia.
Diante da desvalorização sucessiva do dólar registrada ao longo das últimas semanas, com a cotação da moeda americana encerrada sexta-feira (23) em R$ 4,77, seu menor valor em mais de um ano, o cenário positivo para compras no Paraguai tem alavancado a economia regional.
"Esse momento de dólar baixo é fundamental para economia de Foz do Iguaçu porque faz da cidade um destino muito mais competitivo no Brasil. Fazer compras no Paraguai é um dos principais motivos que influenciam as pessoas a virem para tríplice fronteira. Na maioria das vezes, é o primeiro da lista", revela Garon Piceli, diretor de marketing da agência Loumar Turismo, empresa com 33 anos de atuação no segmento.

Para Marcelo Martini, presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sindhotéis) de Foz e Região, o atual momento econômico tem superado a expectativa para retomada do turismo.
"O setor está reagindo além do esperado. Após a pandemia, observamos a inovação da hotelaria e dos atrativos. Foram feitas reformas, mais apartamentos, novas promoções e descontos especiais. Estamos crescendo em um movimento muito positivo, haja visto os grandes investimentos que estão aterrissando na Terra das Cataratas", afirma Martini.
Pesquisa realizada pelo Sindhotéis após feriado nacional de Corpus Christi, entre 8 e 11 de junho, registrou média de 75% de ocupação dos leitos na cidade. Antes da pandemia a taxa era superior a 90%.
"Eu entendo que seja uma construção. A Covid-19 fez com que as pessoas se sentissem muito retraídas, com medo. Muita gente perdeu a vida, tantos outros ficaram desempregados. A partir deste novo momento econômico, temos mais pessoas se sentindo seguras para viajar. E, com o dólar baixo, é inegável o quanto isso contribui para o nosso destino", reforça o funcionário da Loumar Turismo.
Segundo avaliação do secretário municipal de Indústria e Comércio de Foz do Iguaçu, Vilmar Andreola, a desvalorização da moeda americana ocasiona um aumento de até 30% no número de turistas.
"Isso é bom para o hoteleiro, para o dono do restaurante, para o funcionário da pousada, para a prefeitura. Isso aumenta a geração de emprego e também a arrecadação de impostos para o município. O impacto positivo é direto", explica.
Empresário tradicional do ramo de hotelaria e gastronomia em Foz do Iguaçu, Andreola destaca a versatilidade da oferta de produtos importados isentos de impostos, seja no centro comercial de Ciudad del Este, ou nos free shops de Foz e Puerto Iguazú.
"Pode ser em Miami, nos Estados Unidos, ou em Paris, na França, a pessoa que quiser comprar um bom perfume importado, uma boa camisa de marca, irá encontrar o mesmo produto, com a mesma qualidade, aqui na nossa fronteira. O mesmo vale para produtos populares. Com dólar baixo, temos mais vendas e mais dinheiro em circulação. A tríplice fronteira ganha como um todo", finaliza o secretário.
Turismo supera R$ 3 bilhões de investimentos
O Turismo de Foz do Iguaçu recebeu ao longo dos últimos três anos R$ 3 bilhões em investimentos para projetos ligados ao setor, com metade do valor financiado pela iniciativa privada e a outra bancada pelo poder público. A expectativa é de que nos próximos três anos a cidade receba mais R$1,5 bilhão.
Do montante, R$ 500 milhões serão investidos em melhorias no Parque Nacional do Iguaçu, R$120 milhões na construção do novo aquário da cidade, e outros R$ 50 milhões no Marco das Três Fronteiras.
Os empreendimentos são tocados pelo Grupo Cataratas, que prevê investir sozinho até 2030 R$ 700 milhões. Por parte do Governo Federal e do Governo do Paraná, cerca de R$ 1,6 bilhão foi investido em infraestrutura.
Dentre as obras, destacam-se, a construção da segunda ponte entre Brasil e Paraguai, a Perimetral Leste, a duplicação da Rodovia das Cataratas (BR-469) e a ampliação do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu.
Em entrevista à imprensa local, o prefeito Chico Brasileiro afirma que o bom momento impõe a resolução de antigos gargalos do segmento. Dentre eles, a falta de conectividade área de Foz com outras regiões. “Estamos trabalhando para aumentar o número de voos e de rotas. Temos feito reuniões com as companhias, inclusive durante a WTM Latin America, para destravar essa questão”, garante Chico Brasileiro.

Atualmente, 60% dos turistas que chegam a Foz do Iguaçu são brasileiros e 40% de outros países. O mercado doméstico é ocupado em sua maioria por Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. No cenário internacional, os vizinhos da América do Sul lideram o ranking com argentinos, paraguaios, uruguaios e chilenos.


