Desvalorização faz Audi acelerar a nacionalização
Agência Estado
A Audi, que iniciou recentemente a produção do modelo mundial A3 no Brasil, cuja vendas devem começar no segundo semestre, vai acelerar o índice de nacionalização desse veículo e, com isso, pretende reduzir as perdas provocadas com a desvalorização do real. Em entrevista à Agência Estado, o chefe do departamento responsável pela região das Américas, Hans Jurgen Sauer, disse que a meta é reduzir o mais rapidamente possível a quantidade de peças importadas na produção do Audi A3.
A princípio, esse processo de redução de 65% de peças importadas para 35%, estava previsto para ocorrer nos próximos três anos, mas o alto custo de produção em decorrência da crise cambial no Brasil vai obrigar a Audi a acelerar a nacionalização desse veículo. Sauer disse que a Audi não espera obter lucro nos primeiros anos devido ao encarecimento dos carros.
Embora não tenha sido definido ainda o volume de investimentos na fábrica de São José dos Pinhais, na região de Curitiba, para acelerar o processo de nacionalização do A3, o executivo disse que o mais importante neste momento é atrair e ampliar seus fornecedores para concretizar a meta sobre o índice de nacionalização. Para isso, lembrou Sauer, temos de oferecer um alto volume de vendas, que, por sua vez, depende da estabilização da economia brasileira e da demanda do mercado.
De acordo com Sauer, a capacidade de produção do A3 na fábrica paranaense, onde também será produzido o Golf, está plenamente desenhada para um aumento de demanda. A princípio serão produzidas cerca de 150 unidades do A3. Parte desse volume (entre 10% e 30%) deve ser exportado para o mercado latinoamericano.
O preço final do veículo também não foi definido até agora, mas Sauer disse que ele encareceu bastante com a desvalorização do real. Esse fator, de acordo com ele, é mais um motivo para acelerar o índice de nacionalização do modelo que começará a ser vendido no segundo semestre.
Mesmo com uma taxa de câmbio estabilizada entre R$ 1,70 e R$ 1,80, Sauer afirmou que o preço estipulado para o A3 não trará lucros para montadora a princípio.
A Audi está apostando na recuperação do mercado automobilístico no País a partir do segundo semestre. Acreditamos em um mercado crescente de automóveis de grande qualidade, produzidos com ótimos materiais e com design diferenciados, disse Sauer, ao se referir a veículos cujos preços devem superar a faixa dos R$ 30 mil.
Dentro dessa aposta Sauer acredita que este ano a indústria automobilística brasileira, deva produzir em torno de 2 milhões de veículos. Em relação aos seus concorrentes mais próximos na categoria de veículos de luxo, a Audi está apostando em carros mais competitivos produzidos sobre a base da estratégia de plataforma, que vem sendo introduzida pela Volkswagem desde 1995.
O Golf e o Audi TT (modelo esportivo da companhia alemã), por exemplo, usam a mesma plataforma (eixos, rodas, freios, transmissão, câmbio etc). Por menos dinheiro, queremos que o cliente receba um carro melhor, afirmou Sauer.
Essa estratégia, porém, é duramente criticada pela BMW. Para os executivos da BMW, a estratégia de plataforma não é boa para o consumidor, que, segundo eles, acabam pagando um preço mais alto por modelos de luxo que têm como base veículos mais baratos.
O Golf e o Audi TT são carros completamente diferentes, embora tenham sido fabricados nas mesmas bases de produção, usando uma mesma plataforma, rebate Sauer. O executivo da Audi acredita que cedo ou tarde, a BMW será obrigada a fabricar componentes em condições iguais e nas mesmas bases de produção adotando a estratégia de plataformas, a exemplo do que o Grupo Volkswagen vem fazendo. O Rover, por exemplo, não conseguiu atingir preços competitivos, por isso a BMW está perdendo dinheiro, afirmou Sauer.





