Desvalorização do real dá liderança às bolsas no mês
As Bolsas voltaram a liderar o ranking das aplicações financeiras em fevereiro, embora com alta mais modesta do que em janeiro. O Indice Bovespa subiu 9,04%, com boa dianteira até mesmo diante da temida inflação de 3,61% registrada pelo IGP-M.
A explicação para a valorização das ações está na maior procura de investidores locais por ativos reais e na volta, embora ainda tímida, dos estrangeiros, já que os papéis ficaram mais baratos em dólar após a máxi. O dólar, tanto o comercial quanto o paralelo, registrou recuo em fevereiro por uma razão muito simples: a base de comparação é a última e tumultuada sexta-feira de janeiro, quando a moeda norte-americana fechou em R$ 2,10, alcançando R$ 2,15 durante o dia.
Ontem, o fechamento do dólar comercial foi em R$ 2,04 (para venda), ainda elevado, mas sem o nervosismo do final de janeiro. O paralelo ficou em R$ 1,95, contra R$ 2,05 no dia 29 de janeiro. No segmento de renda fixa, a liderança em fevereiro foi dos CDBs prefixados de grandes investidores, que obtêm taxa da mesa de operações do banco, e não de agência. A rentabilidade bruta atingiu 2,98% (considerando 18 dias úteis, com base nos 20 do papel), ou 2,38% líquidos de IR. Esse cálculo não computa o efeito do IOF de 0,38%, que, no CDB, tem o inconveniente de ser repetitivo na renovação mensal. Grandes investidores e fundos conseguem CDB de prazo mais longo, swapado (troca) para DI. Na média do mercado, medida pela Taxa Básica Financeira, os CDBs prefixados renderam 2,64% brutos e 2,11 líquidos de IR em fevereiro, também considerando 18 dias úteis.
Os fundos de 60 ou 90 dias deram, na média, 1,78%, e os de 30 dias - sujeitos a compulsório -, 1,68%, sempre líquido de IR, porém sem considerar o efeito do IOF que agora substitui a CPMF na hora da aplicação, com exceção da poupança. Esta rendeu 1,3339% em fevereiro. No confronto com a inflação, que pelo IGP-M foi a 3,61%, é bom lembrar que fevereiro foi um mês curto, de apenas 18 dias úteis, e isso tem reflexos sobre a rentabilidade do período.
Se o mesmo rendimento de fevereiro fosse extrapolado para março, que terá 23 dias úteis, os fundos de 60 dias renderiam 2,28% líquidos, e os de 30 dias, 2,15%. A própria poupança daria algo em torno de 1,70% - o que pode ocorrer. Sobre a discussão dos juros negativos, analistas financeiros são unânimes em dizer que, por enquanto, o que ocorre com a inflação é uma bolha. Sobe e depois cai. No horizonte de um ano os juros continuam positivos, dizem.
Lembram também que índices como o IGP-M e o IGP-DI se aproximam de 4%, devido ao peso dos preços no atacado, mas o da Fipe, por exemplo, é menor, não devendo chegar a 2% este mês. Se o tamanho dos juros for medido por apenas um mês ou dois, até nos Estados Unidos haveria taxa negativa, argumentam.Arquivo FolhaRisco remuneradoBovespa disparou em fevereiro: alta de 9% contra inflação de 3,6%Agência Estado





