A desvalorização do dólar em relação ao real, que neste mês acumula queda de 5,08%, travou os negócios de soja, café e açúcar na última semana. O que está brecando as vendas no mercado futuro é o fato de se obter menos reais com essas commodities cotadas em dólar. Mesmo assim, a moeda americana, que fechou ontem valendo R$ 2,56, está numa ótima taxa para exportação, reconhecem os analistas.

As cooperativas do Paraná, por exemplo, que vendem a soja no mercado futuro de Chicago deram uma parada nos negócios, conta o analista técnico e econômico da Ocepar, Robson Mafioletti. ''Além de o valor monetário em real ter diminuído, a entrada da safra norte-americana também contribuiu para a freada momentânea nos negócios.''

O produto cotado na segunda-feira em Chicago a US$ 9 a saca sai por R$ 23,04. No mercado interno, a saca custa R$ 29. ''Neste caso é mais vantajoso vender aqui'', diz Mafioletti.

O quadro do café e do açúcar é semelhante. Num primeiro momento, explica o trader de Mercados Futuros da Coimex Tiago Peres, os negócios com café brasileiro foram paralisados. Mas como o País é o maior produtor mundial, essa retração acabou puxando para cima a cotação do produto nas bolsas internacionais. O resultado foi que na última semana a cotação em dólar do café no mercado futuro subiu cerca de 10%. Com esse ajuste, a tendência é de que os negócios voltem a fluir. ''Agora já começaram a aparecer negócios'', diz o analista.

Açúcar No caso do açúcar, a tendência é de que o mercado comece a reagir mais para frente, não com a mesma rapidez do café, porque outros países produtores têm forte peso no mercado.

A queda do dólar pode influenciar negativamente as exportações de carne bovina no fim deste mês e do próximo. ''O recuo do dólar pode prejudicar as vendas que estão sendo fechadas agora. Geralmente, os contratos de exportação são fechados 20 ou 30 dias antes da data do embarque'', diz o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Edivar Queiroz.

A exportação mensal em dezembro pode ficar abaixo da média obtida até novembro - de 61.864 toneladas. O analista José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria, concorda com Queiróz, mas pondera que uma cotação a R$ 2,60 é favorável à exportação.

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