Desvalorização do câmbio com seguro, propõe Mologni
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segunda-feira, 19 de janeiro de 1998
Da Redação 
ArquivoAjuste sem traumaO professor Mologni propõe adoção de seguros para ajustar o câmbio à realidadeDesvalorização cambial com seguro, usando o mesmo conceito da Unidade Real de Valor (URV), adotada antes do Plano Real, na fase de transição. Assim, o ajuste cambial - que se faz necessário - não conflitaria os interesses dos importadores. É o que sugere o professor de Economia da Universidade Estadual de Londrina, Ismael Mologni, para que o governo consiga manter a estabilidade econômica sem mergulhar o País na recessão, como parece iminente.
Mologni acha que o País não pode adiar por mais tempo o ajuste do câmbio. Fazendo seguro da desvalorização cambial, o exportador receberia, teoricamente, mais 20% e o País poderia incrementar as exportações e reduzir o déficit da balança que já atinge R$ 8,5 bi. Com o equilíbrio, o pavor da evasão de dólares deixa de existir na equipe econômica. Com a economia equilibrada, o governo não precisa recorrer a instrumentos monetários - altas taxas de juros - para segurar o investidor.
O seguro seria para os contratos que estão em vigência. As novas operações seriam feitas dentro de nova paridade, de 1 dólar para 1,65 reais. Isto é o que foi feito com URV que foi nivelando preços, salários e dólar, lembra o professor Ismael Mologni, ao ser entrevistado esta semana sobre a possibilidade de ajuste cambial.
Na desvalorização com seguro, para não causar desequilíbrio entre os agentes econômicos, como propõe Mologni, pode-se reduzir os juros de 40% para 15% ao ano.
Algo tem que ser feito com o câmbio e amenizar o tratamento monetário. O que não pode, segundo Mologni, é segurar os investimentos externos tendo como atrativo as altas taxas de juros de um lado e, do outro, um câmbio irreal. Esta situação, macroeconomicamente instável, tem um custo social muito alto; está inibindo investimentos produtivos e fragilizando pequenas e médias empresas, segundo o professor. Para ele, a persistir a política cambial desta forma, não se consegue reduzir taxa de juros, e juros altos são um preço muito elevado para se manter a estabilidade econômica por todos desejados.
O seguro proposto por Mologni custaria menos do que o juro que está sendo imposto para contrapor o déficit cambial.
Considerando inflação de 65,45% no período do Real; inflação dos EUA, 10,5% e as desvalorizações que o dólar já teve, restaria um diferencial (a ser ajustado para se chegar à paridade) de 36%. Pelos cálculos de Mologni, o País corrigiria a defasagem em 36,36%. Esta seria a defasagem real dentro do princípio equânime das relações importação/exportação. Aí a medida que viesse a ser tomada pelo governo não estaria prejudicando nem exportador nem importador.
Um ajuste nestes termos - uma máxi - deveria ser feita em três anos e meio afugenta o aplicador internacional que tem que pagar mais em real para fazer o repatriamento do dolar. Logo não se pode fazer sem o seguro cambial.
Importações O câmbio real reduziria a entrada sem critérios de produtos que quebram a empresa nacional e a produção primária. O Brasil precisa importar tecnologia - química fina, turbinas de avião - não produtos que já temos. É um absurdo importar calçados, milho ou arroz.
Pela proposta de Mologni, a soja seria altamente beneficiada porque o que se recebe hoje teria incremento de R$ 17 atuais mais 48%. Na prática chegaria a R$ 25/saca, o equivalente a arroba do boi. Uma alavancagem como esta na economia da gerada pela soja, significaria distribuição de renda no interior, incrementando venda de insumos, máquinas e investimentos no campo. As cidades seriam diretamente beneficiadas.


