Desvalorização cambial eleva dívida líquida em R$ 9,3 bi
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quarta-feira, 29 de novembro de 2000
Agência Estado De Brasília 
A desvalorização cambial de 3,52% verificada no mês de outubro teve um efeito perverso sobre a dívida líquida do setor público. Ela cresceu 1,7%, passando de R$ 547,947 bilhões em setembro para R$ 557,324 bilhões em outubro, um aumento de R$ 9,377 bilhões. A elevação da dívida, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central, também pesou na sua relação com o Produto Interno Bruto (PIB), que passou de 48,6% em setembro para 49% em outubro.
Segundo o chefe do departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes, a relação dívida/PIB pode chegar a 50% no final do ano para depois estabilizar. Em novembro o Banco Central conta com os R$ 7,050 bilhões da venda do Banespa para fazer a dívida cair. Como a dívida continuará sofrendo o impacto da desvalorização cambial, que até o dia 24 de novembro já estava em torno de 2%, a queda não será equivalente aos R$ 7,050 bilhões arrecadados com a venda do Banespa.
Já a dívida mobiliária federal fora do Banco Central totalizou, em outubro, R$ 519,935 bilhões (44,3% do PIB), com variação de 1,6% em relação ao mês de setembro, quando a dívida em títulos totalizou R$ 511,935 bilhões. A elevação de R$ 7,966 bilhões na dívida mobiliária é também uma consequência da valorização do dólar, uma vez que o resgate de títulos, da ordem de R$ 6,7 bilhões, foi superior à colocação de papéis no mercado secundário (R$ 4,2 bilhões).
Em outubro, a participação dos papéis indexados ao câmbio elevou-se de 20,5% para 21,1% do total da dívida, reflexo não somente da desvalorização do real mas também de emissão líquida de títulos. Os papéis pós-fixados, indexados à taxa over/Selic tiveram sua participação reduzida de 53,2% para 52,5% no mês de outubro, enquanto os papéis prefixados aumentaram a participação no total da dívida, passando de 15,7% para 16%.
O chefe do Depec destacou a trajetória de crescimento na duração média dos títulos emitidos em oferta pública. Graças à colocação de papéis cambiais pelo BC (NBC-E) com prazo de cinco anos e de LTN, pelo Tesouro Nacional, com prazos superiores a 400 dias, as durações médias dos títulos do BC e do Tesouro Nacional alcançaram, respectivamente 17,17 meses e 2,99 meses.


