Desvalorização cambial derruba preço da soja
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quinta-feira, 14 de janeiro de 1999
Vânia Casado 
O setor exportador de soja reagiu negativamente à alteração da política cambial. O mercado parou e não foram realizados negócios. No mercado de lotes, em Paranaguá, a cotação da soja caiu US$ 0,40. Na terça-feira o produto estava sendo negociado a US$ 11,90 a saca e ontem a cotação foi fixada em US$ 11,50. O mercado aguarda reflexos positivos da medida a partir de março quando começarem as exportações de soja.
O mercado de soja que já vinha em queda com a divulgação de safras recordes dos três maiores produtores mundiais, EUA, Brasil e Argentina, caiu ainda mais com o anúncio da desvalorização cambial.Isso porque o Brasil está a 60 dias de colher uma safra avaliada em 29,5 milhões de toneladas, volume suficiente para mexer com o mercado internacional, explicou o analista Fernando Muraro, da Cotriguaçu. Para o mercado internacional, o anúncio da desvalorização cambial em 9% não podia vir em pior momento, disse.
Ocorre que as condições climáticas no Brasil e Argentina estão favorecendo a cultura de soja e a produção poderá ficar acima do esperado. O Brasil poderá colher até 31 milhões de toneladas e a Argentina, 18,7 milhões de toneladas. Como reflexo dessa situação o preço da soja na Bolsa de Chicago já apresenta uma queda de 3,6% só esta semana. Na segunda-feira, o grão estava cotado a US$ 199 a tonelada e ontem fechou a US$ 194 a tonelada. Com o anúncio da desvalorização cambial, que torna a soja brasileira competitiva, o mercado esfriou ainda mais. Muraro acha difícil um reflexo positivo para os produtores nas exportações, se as estimativas de produção dos EUA, Brasil e Argentina forem concretizadas. A produção mundial será maior e a demanda por óleo, farelo e grão deverá continuar fraca. Com isso a desvalorização cambial será anulada pela queda nas cotações, justificou.


