Em meio à agitação financeira e à ameaça de o País presenciar a maior crise do Plano Real, desde que foi lançado há quatro anos e meio, há setores que apostam em aumento de vendas e em crescimento. São pequenos e médios empresários, que estão confiantes com as notícias de que vão poder exportar mais e aumentar o faturamento com a desvalorização do dólar. Há ainda os empresários que vislumbram um aumento na atividade após uma redução da entrada de produtos importados no País. Empresas de consultoria também viram seus negócios aumentar da noite para o dia. Eles abocanharam os consumidores e empresários que precisam renegociar dívidas ou rever contratos e investimentos.
A empresa Atlas Indústria de Eletrodomésticos - quinta maior fabricante nacional de fogões a gás e a lenha, com a venda de 540 mil unidades ao ano - espera um aquecimento no mercado interno e de exportação. Instalada há 49 anos na cidade de Pato Branco, a Atlas exporta uma média de 44 mil fogões ao mês para 22 países. ‘‘Ainda estamos num compasso de espera, mas acreditamos que poderemos aumentar a exportação’’, afirma o gerente de Comércio Exterior da Atlas, Carlos Augusto Borba.
Ele diz que desde a desvalorização, os empresários estão com receio de fixar um preço para seus produtos e há algumas fornecedores que ameaçam com o reajuste da matéria prima. Alguns componentes, como a tinta e a chapa de inox, que eles compram para produzir os fogões, subiram em até 40%.
Em dezembro, a Atlas havia feito uma estimativa de exportar 12% a mais neste ano. Agora a expectativa é aumentar em 15% as vendas para o exterior, principalmente, para os países do Mercosul. Hoje, a empresa tem 800 funcionários.
O empresário José Gomes Vieira, da empresa Importronics Comércio de Painéis Ltda, também aposta na desvalorização do Real para poder faturar mais com a exportação. Por enquanto, sua produção é apenas para o mercado interno, onde vende painéis eletrônicos. ‘‘Iniciamos os contatos com os países do Mercosul’’, disse Vieira. Ele ressalta que o governo federal precisa estimular a poupança interna do País e criar mecanismos que impeçam a especulação de alguns setores, para que a indústria nacional possa sobreviver.

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