Destino sustentável ao lixo orgânico
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Encontrar destinos sustentáveis para o lixo gerado diariamente é um desafio enfrentado pela sociedade. Reciclar os resíduos se consolida entre as boas alternativas. Uma experimentação realizada há algum tempo no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e que tem sido ampliada recentemente pretende transformar em adubo o lixo orgânico gerado no campus e resolver parte do problema da destinação desse material.
A compostagem, por meio da decomposição, transforma o lixo orgânico em um material rico em húmus e nutrientes especiais que servem como adubo e fertilizante. A alternativa pode ser feita em grande escala ou de forma doméstica. Segundo Cleuber Moraes Brito, professor de geologia e assessor especial de meio ambiente da UEL, esse processo deve ser ampliado nos próximos meses.
Brito foi designado para desenvolver um projeto de meio ambiente que contemple a destinação correta do lixo gerado dentro do campus. Ele explica que o projeto faz-se necessário tanto para atender normas do município quanto do Estado: elaborar plano de gerenciamento de resíduo sólido e separar o lixo reciclável e encaminhar para associações de catadores.
Nesse sentido, o professor informa que está sendo realizado um diagnóstico da quantidade e do tipo de lixo gerado pela UEL e elaborado um planejamento das ações que deverão ser realizadas para destinar corretamente esse material. Parte da estrutura onde já acontece a separação de lixo será mantida. Assim como as pesquisas de compostagem.
Sem apontar números, Brito revela que o processamento da compostagem é muito importante em qualquer lugar mas principalmente no campus da universidade porque a quantidade de resíduo orgânico gerado no local é muito grande. ''Podas de árvore, restos de outros processos de jardinagem, folhas secas, restos de alimentos do restaurante universitário. A quantidade de resíduo orgânico é alta e a compostagem necessária'', reforça.
A idéia é realizar o processo de compostagem no campus e utilizar o material gerado como adubo para a própria área de jardim da UEL. Na opinião dele, a medida vai gerar economia porque não será mais necessário dispender recursos para destinar esse resíduo orgânico nem gastar com produtos para cuidar do jardim.
Brito explica que para realizar a compostagem escava-se uma trincheira e deposita-se uma camada de resíduo orgânico, em seguida coloca-se uma camada de terra, e repete-se o processo até cobrir toda a escavação. ''O material fica confinado na trincheira'', resume. Conforme Brito, o lixo se transforma em adubo porque não há oxigenação e as bactérias realizam a tarefa de decomposição.
O tempo do processo depende da quantidade de material depositada e do tamanho da trincheira, mas demora em torno de seis meses. ''Quanto mais tempo, maior é o trabalho que a natureza faz para decompor o material e mais efetivo a ação do adubo sobre a planta''.
O professor explica que não ocorre contaminação e o local não fica com cheiro desagradável porque não há contato direto com a chuva, pois fica coberto por uma camada de terra. Nos lixões, explica, ocorre o chorume porque os resíduos ficam expostos à chuva. A princípio, o material da compostagem produzido na UEL será usado no próprio campus.


