A venda da Sercomtel Celular tem gerado polêmica entre os londrinenses. A população preocupa-se com o destino do dinheiro, depois do desvio de uma parte dos recursos obtidos com a venda de 45% das ações da Sercomtel (companhia de telefonia fixa) para a Copel, por R$ 186 milhões, em maio de 1998. ‘‘O escândalo gerou um grande trauma na comunidade’’, diz Francisco Roberto, presidente da operadora. Ele admite que o ‘‘rescaldo’’ do esquema de corrupção tem atrapalhado os planos de venda da empresa.
No início deste mês o prefeito Nedson Micheleti (PT) encaminhou à Câmara de Vereadores um pedido de autorização para a venda da Sercomtel Celular e para a extinção da lei que condiciona a comercialização à realização de um plebiscito, que foi retirado de pauta. A argumentação do prefeito é de que o plebiscito pode desgastar a imagem e desvalorizar a empresa já que vai expor os seus problemas. Ontem, Nedson voltou a entrar com pedido de revogação do plebiscito .
A proposta de venda da Sercomtel Celular defendida pelo prefeito de Londrina não foi aprovada por várias lideranças petistas e está sendo usada pelo governo do Estado para tentar neutralizar o discurso da oposição contra a privatização da Copel.
Para o economista João Resende, que defende a venda da empresa, a contribuição social da Sercomtel Celular é pequena e não justificaria sua manutenção como empresa pública. ‘‘A Sercomtel Celular passa a impressão de que não é vinculada à comunidade’’, afirma. Segundo o presidente da operadora, Francisco Roberto, a Sercomtel investe 1,5% da receita operacional em projetos sociais como basquete e eventos culturais. Neste ano, isso vai significar R$ 800 mil.
João Resende faz apenas uma ressalva quanto à venda da empresa: que o dinheiro seja mesmo utilizado em obras. ‘‘Pela Lei de Responsabilidade Fiscal esses recursos não podem cobrir déficits de caixa.’’
Resende argumenta que a Sercomtel Celular não tem condições de competir com a Global Telecom e com a TIM Celular. ‘‘Essas empresas têm grande poder de fogo, e acesso a juros mais baixos no mercado internacional’’, lembra.
‘‘Como a renda da população não está aumentando, as operadoras vão disputar as pessoas que já são assinantes. E é mais fácil a Global ou a TIM tirar clientes da Sercomtel Celular do que vice-versa’’, afirma Resende. ‘‘Além disso, a Sercomtel fixa não vai poder investir na celular porque também está com a concorrente GVT em seu calcanhar.’’
O ex-presidente da Sercomtel, Gilbert Garcia de Souza, diz que não é a favor nem contra a venda da empresa. Ele defende que a prefeitura realize um estudo científico para determinar a necessidade ou não do negócio. Souza afirma que, nesse estudo, deveriam ser considerados o valor da venda da licença de exploração, quais os bens imóveis que seriam alienados e se o know-how e os equipamentos seriam considerados na precificação. ‘‘Se o preço for desvantajoso é melhor continuar explorando o serviço até a empresa aguentar’’, afirma.
O ex-presidente da operadora é favorável ao plebiscito para esclarecer a população. ‘‘O plebiscito é a manifestação da vontade do cidadão. É um princípio constitucional.’’
O deputado federal petista Florisvaldo Fier – o Dr. Rosinha – é contra a venda da Sercomtel Celular por entender que todas as companhias telefônicas são viáveis economicamente. ‘‘Quando o mercado abrir de vez, a operadora pode tentar atuar em outros municípios’’, argumenta. Caso a Prefeitura de Londrina resolva mesmo vender a empresa de celular, Rosinha defende a realização do plebiscito. (C.L.)

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