As usinas de cana-de-açúcar do Paraná querem ampliar a produção de álcool e direcionar sua comercialização para os mercados do Japão e países da Europa. A busca da exportação tem sido a principal preocupação de dirigentes do setor que querem evitar excedentes e, ao mesmo tempo, preencher a capacidade das indústrias. Para atingir esses objetivos, eles dependem de mudanças na legislação de países potencialmente compradores a fim de que permitam a mistura de álcool à gasolina. Alguns estão propensos a fazê-las.

Segundo o presidente da Cocamar, Luiz Lourenço, que voltou esta semana do Japão, a idéia sofre resistência das montadoras de veículos, mas é bem aceita pelo governo japonês.

O Paraná é o segundo maior produtor brasileiro de álcool e responde com um pouco mais de 10% dos mais de 10 bilhões de litros/ano produzidos no país.

Com um mercado interno estagnado, as usinas querem exportar e retomar o mesmo volume de produção de 1997/98. Naquele ano, mais de 1,3 bilhão de litros de álcool sairam das unidades paranaenses.

''Abrir as vendas para países como o Japão significa a conquista de um mercado duradouro'', ressalta Lourenço.

Conforme o presidente da Cocamar, a idéia se baseia em questões ambientais. Em países da Europa e no próprio Japão, o índice de poluição causado pelo uso em excesso da gasolina misturada a outros produtos como o metanol, provoca danos ambientais, principalmente no lençol freático. ''Os países buscam hoje alternativas para minimizar os problemas com a poluição e o uso do álcool carburante é uma delas'', prega Lourenço.

Atualmente, a produção de álcool paranaense gira em torno de 1,1 bilhão de litros por safra. Segundo o superintendente da Associação de Produtores de Álcool do Paraná (Alcopar), Adriano da Silva Dias, os parques instalados no Estado têm capacidade industrial para uma produção anual de 1,6 bilhão de litros. ''Isso sem falar em investimentos, apenas em usinas já instaladas'', diz o superintendente.

Por causa desta capacidade e do potencial de crescimento em razão da exportação, os donos das 28 usinas paranaenses acompanham com atenção as mudanças no exterior. Segundo Luiz Lourenço, durante encontro no Japão, representantes da montadora Toyota se posicionaram contra a mistura de álcool na gasolina.

A atitude da montadora, conforme o presidente da Cocamar, recebeu críticas inclusive do governo japonês. ''A Toyota dos Estados Unidos produz motores adequados à mistura porque o governo norte-americano usa 10% de álcool, mas de origem do milho, produzido lá mesmo'', lembra Lourenço.

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