O setor sucro-alcooleiro não acredita que os EUA e mesmo a Europa venham a reduzir o valor da tarifa cobrada nas importações de açúcar brasileiro. Nos EUA ela é de cerca de US$ 350 por tonelada, quase o dobro do preço do produto, o que torna o açúcar um dos produtos com maior peso de impostos. A taxa cobrada pela Europa chega perto dos US$ 500/t.
‘‘Nos dois casos, o valor é proibitivo fazendo com que as vendas de açúcar para estes países seja praticamente nula’’, informa Júlio Maria Borges, diretor da Job Consultoria. A tonelada de açúcar brasileiro custa, hoje, cerca de US$ 200.
Segundo Borges, os EUA importam, anualmente, cerca de 1,7 milhão de t de açúcar brasileiro, dentro de uma cota fixada pelo seu Departamento de Agricultura. As importações que excederem este montante sofrem a cobrança do imposto de US$ 350/t.
‘‘O imposto é protecionista e a história indica que será muito difícil que ele seja retirado ou amenizado’’, diz Borges. Segundo ele, o açúcar possui uma importância política muito grande, assim como o leite e o trigo, e será muito difícil que ele seja enquadrado dentro de políticas de livre comércio no curto prazo.
Subsídios Para Maurílio Biagi, presidente da Usina Santa Elisa, EUA e Europa gastam muito dinheiro subsidiando a produção de açúcar e não pretendem abrir as portas de seus países para o açúcar brasileiro sem o pagamento de impostos.
Biagi estima que a Europa e os EUA gastam anualmente cerca de US$ 500 bilhões em subsídios agrícolas. ‘‘Com isto, o consumidor norteamericano e o europeu pagam mais caro pelo açúcar, mas eles não estão reclamando. Por isto esta situação não deve mudar’’, disse.
O usineiro explica que tanto os EUA e a Europa sabem que existe a necessidade de subsidiar o produtor para que exista equilíbrio de mercado.
‘‘No Brasil, o setor sucro-alcooleiro conseguiu reduzir de tal forma seu custo de produção que hoje ele produz o açúcar mais barato a nível mundial.ArquivoVendas de açúcar são praticamente nulas nos EUA e EuropaEduardo Magossi
Agência Estado

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