Por ter vivenciado na pele a geada negra de 1975, o dono da Construtora Yoshii, Atsushi Yoshii, entende que o impacto das geadas deste mês são mais psicológicos do que reais. ‘‘Hoje não dependemos só do café. O Norte do Paraná já tem uma indústria forte’’, afirmou. ‘‘A influência da geada é grande mas é bem diferente de 1975. Naquela época, a economia parou durante um ano. Deixamos de fazer muitas obras que estavam encaminhadas por causa da geada negra’’.
Yoshii não vai frear nenhum de seus projetos. ‘‘Já lancei um prédio de 60 apartamentos e estou analisando o lançamento de outro’’, disse. Segundo ele, neste ano haverá um incremento de vendas entre 30% e 40% no setor. ‘‘Havia uma demanda reprimida muito grande na região’’.
Para o superintendente do Banco do Brasil (BB) na região de Londrina, José de Mesquita Filho, a situação dos proprietários rurais é grave. ‘‘Com menos vitalidade no comércio, os negócios do banco ficam prejudicados’’, disse. Entre 700 e 800 produtores de café de 52 municípios do Norte do Estado são clientes do BB, que neste ano financiou R$ 35.840 milhões de custeio, colheita, investimento e comercialização com recursos do FunCafé e outros R$ 12.830 milhões, através de Cédulas de Produto Rural.
O BB também financiou 1.540 produtores de milho safrinha e 1.275 produtores de trigo na região, somando um volume de R$ 47 milhões nas duas culturas. No Paraná, um total de 11.120 produtores de milho safrinha e trigo emprestaram R$ 170 milhões para custeio de lavouras.
‘‘O grande problema é o café já que a maior parte dos empréstimos de milho safrinha e trigo estão segurados. Os produtores de café terão dificuldade de baixar suas dívidas com o banco, comprometendo seus limites de crédito para tomar recursos na próxima safra’’, afirmou Mesquita. Ele acredita que o governo federal deve se sensibilizar, buscando soluções para a categoria. (C.L.)

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