Brasília - Os gastos do setor público com o pagamento de juros da dívida estão em tendência de declínio, destacou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel, ontem, ao divulgar os dados fiscais do País. Em reais, essa redução na despesa de juros deve significar R$ 30 bilhões em 2012.
Maciel explicou que essa expectativa de recuo tem por base a queda de indicadores que corrigem a dívida pública, principalmente a taxa básica de juros (Selic) e a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
''Devemos encerrar 2012 com despesas de juros bem abaixo do ano passado'', disse. A previsão para este ano, que pode ser revisada pelo BC no próximo mês, é 4,3% em relação a tudo o que o País produz -Produto Interno Bruto (PIB). Em 2011, essa relação estava em 5,7%.
Em abril deste ano, a taxa Selic acumulada estava em 3,21%, e no ano passado, em 3,51%. O IPCA acumulado até abril deste ano ficou em 1,87% e em igual período de 2011, em 3,23%.
No primeiro quadrimestre do ano, os gastos com juros chegaram a R$ 76,191 bilhões, com recuo de 3% na comparação com igual período do ano passado (R$ 78,585 bilhões). Apenas em abril, essas despesas chegaram a R$ 17,224 bilhões, uma redução de 12% em relação ao mesmo mês de 2011 (R$ 19,641 bilhões).
Na avaliação de Maciel, ''a evolução do quadro fiscal'' do País ''reflete um comprometimento do Governo já há algum tempo com o lado fiscal''. ''Saímos de um quadro em que já não se discute a questão da sustentabilidade, não se põe dúvida quanto à solidez fiscal do País. E uma solidez fiscal favorável permite enfrentar melhor esses momentos'', destacou.
Maciel acrescentou que o BC não trabalha com a hipótese de redução de esforço fiscal para estimular a economia brasileira, afetada pela crise econômica internacional.

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