Brasília- Apesar do crescimento recorde do emprego formal nos cinco primeiros meses do ano, as despesas do governo com o pagamento de seguro-desemprego aumentaram 24,3% no período. Segundo dados do Ministério do Trabalho, de janeiro a maio foram gastos R$ 5,215 bilhões com a emissão de benefícios. Em 2006, foram desembolsados R$ 4,195 bilhões em igual período.
As estatísticas do ministério também apontam para um crescimento no número de trabalhadores que foram atrás do seguro-desemprego. No ano passado, 2,714 milhões de pessoas ficaram desempregadas e pediram o benefício entre janeiro e maio. Neste ano, o número é de 2,770 milhões de desempregados -alta de 2,06% na comparação com 2006.
Um dos motivos para o crescimento da despesa foi o aumento real concedido para o salário mínimo a partir de abril deste ano. O piso salarial foi reajustado em 8,57% - elevação real de mais de 5%. Isso influencia os gastos com seguro-desemprego, pois a tabela com os valores do benefício sofre o mesmo reajuste do mínimo.
O valor mínimo de cada parcela do seguro-desemprego equivale ao piso salarial (R$ 380). O valor máximo está em R$ 710,97. Para fazer o cálculo, o Ministério do Trabalho usa como base o salário mensal do último emprego do trabalhador. O número de parcelas varia de três a cinco, dependendo do tempo em que o trabalhador permaneceu empregado.
O diretor do Departamento de Emprego e Salário, Rodolfo Torelly, diz que não há contradição entre o aumento do emprego formal e o crescimento do seguro-desemprego. Quanto maior o universo de trabalhadores com carteira assinada, maior o contingente passível de receber o seguro, afirma ele.
''O emprego formal teve um aumento de 900 mil postos. Mas isso é o resultado de 5 milhões de contratações mais 4,1 milhões de demissões. O ideal é que ninguém perdesse o emprego'', afirma o diretor.
Ele acrescenta que o mercado de trabalho brasileiro é conhecido por sua alta rotatividade. ''Em um grande número de empresas os trabalhadores que ganham mais são demitidos para haver contratação de pessoas com rendimentos mais baixos'', diz Fábio Romão, economista da LCA Consultores.

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