Despesas com juros batem recorde
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sexta-feira, 29 de julho de 2005
Isabel Sobral<br>Agência Estado 
Brasília O Brasil bateu recorde de pagamento de juros no primeiro semestre. Foram R$ 80,12 bilhões, o maior montante semestral já registrado pelo Banco Central desde o início da série histórica em 1991. No mesmo período, a economia feita pelo setor público (União, Estados, municípios e empresas estatais) também foi recorde e somou R$ 59,95 bilhões. Esse montante, chamado de superávit primário, foi totalmente utilizado para pagar a conta de juros e ainda ficaram faltando R$ 20,17 bilhões. Essa diferença negativa é também chamada de déficit nominal. Em junho, o superávit primário ficou em R$ 9,62 bilhões e o déficit nominal foi de R$ 5,61 bilhões.
A meta fixada pelo governo é obter um superávit primário de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 83,85 bilhões até o final do ano. Até junho, portanto, 72% da meta anual já havia sido cumprida. No entanto, o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, ressaltou que a tendência nesta segunda metade do ano é as despesas aumentarem. Ele disse, no entanto, que é ''bastante factível'' fazer a economia dos R$ 23,9 bilhões restantes para atingir a meta.
O valor em reais da meta fixada para este ano poderá mudar. Isso porque o governo reviu para baixo sua estimativa de PIB deste ano. Em vez de um crescimento de 4%, espera-se agora um crescimento de 3,4%. Portanto, o valor do PIB em reais ficará menor em 2005 e os 4,25% representarão também um valor mais baixo em reais.
A maior contribuição para o superávit primário do primeiro semestre veio do governo central, que economizou quase R$ 40 bilhões. Os governos de Estados e municípios acumularam R$ 13,70 bilhões, enquanto as estatais tiveram um superávit de R$ 5,90 bilhões. Em comparação ao período de janeiro a junho de 2004, o resultado primário ficou 23% maior.
Ao analisar o período de 12 meses fechado em junho, o setor público fez também o maior superávit primário já registrado: R$ 94,87 bilhões. Nos 12 meses encerrados em maio, esse valor estava em R$ 93,17 bilhões. Também nesse período a conta de juros somou R$ 146,55 bilhões no mês passado, contra R$ 141,20 bilhões fechados em maio.


