Despesas com juros batem em 5,70% do PIB e tendem a piorar
Despesas com juros batem em
5,70% do PIB e tendem a piorar
Agência Estado
As despesas com juros do setor público têm mantido uma tendência de aumento este ano. No período de 12 meses encerrados em março último, a conta dos juros não pagos e incorporados à dívida do setor público chegou a R$ 51,2 bilhões, o correspondente a 5,70% do Produto Interno Bruto (PIB). Desde os 12 meses encerrados em dezembro de 1996, quando os juros representaram 5,79% do PIB (ou R$ 46,4 bilhões), esta conta não era tão alta.
O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, advertiu, no entanto, que nas próximas análises de 12 meses a despesa com os juros será mais pesada. Uma reversão nesta tendência só é esperada para depois de outubro.
Isso porque o agravamento da conta de juros iniciou-se com a crise da Ásia, no final de outubro passado, quando as taxas foram dobradas na tentativa de conter a fuga de capitais externos do País. Mesmo a economia já tendo retomado o mesmo patamar de juros em vigor antes da crise - pois no último dia 20 de maio a Taxa Básica do Banco Central (TBC) foi fixada em 21,75% contra os 20,69% de outubro -, esta queda ainda não teve impacto no resultado fiscal do setor público.
Nos 12 meses até outubro de 97, os juros não pagos e incorporados à dívida correspondiam a 5,05% do PIB. Desde então, sempre houve aumento.
Do nível que estava até outubro, os juros saltaram para 5,17% nos 12 meses até novembro, e fecharam o ano em 5,19% do PIB. O maior impacto do aumento das taxas de juros começou a aparecer, no entanto, a partir de janeiro (sempre considerando o período de 12 meses) quando a conta bateu em 5,36% do PIB. No período até fevereiro, a tendência de aumento acentuou-se e a parcela de juros foi de 5,54%.
Segundo Lopes, considerando o resultado anualizado, a tendência é de aumento da parcela de juros. Esta piora também sofre influência estatística. Isso porque, enquanto descarta um resultado mensal do período em que as taxas ainda estavam baixas, o BC vai substituir este resultado por um desempenho pior.





