DESPESA MENSAL - Custo da cesta básica sobe nas capitais
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de setembro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O custo médio da cesta básica subiu em 15 das 16 capitais pesquisadas pelo Departamento de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) em agosto, impulsionado principalmente pela alta do tomate. O frio intenso prejudicou a safra do produto e provocou problemas de oferta, o que teve impacto nos preços.
No mês passado, a única queda no valor da cesta ocorreu em Fortaleza, de 3,11%, onde o preço do tomate diminuiu 5,88%. Das 15 capitais que apresentaram aumento no custo da cesta em relação a julho, os destaques ficaram com Aracaju (+8,52%), Natal (+8,27%), Florianópolis (+8,07%) e Vitória (+7,59%). Em São Paulo, a cesta ficou 4,78% mais cara. No Rio de Janeiro a alta foi de 6,10%.
Em Curitiba, a variação mensal no mês de agosto foi de 3,92%, considerada a segunda maior do ano. No mês de maio, a variação da cesta foi de 4,16%. O Dieese prevê nova alta para o valor da cesta este mês diante da tendência de manutenção de alta no preço da batata.
Apesar do índice elevado, a cesta de Curitiba foi classificada como a oitava capital mais barata entre as 16 pesquisadas. Com o resultado de agosto, a cesta básica acumula uma alta de 8,02% este ano e de 16,02% nos últimos 12 meses. Em Curitiba, a cesta de alimentos para uma família (casal e dois filhos) já está custando R$ 515,85.
Os vilões da cesta em Curitiba, tomate e batata, tiveram alta de 34,55% e 15,56% respectivamente, no mês de agosto. Produtos como açúcar, manteiga, banana, farinha de trigo também tiveram seus preços reajustados.
De acordo com o economista do Dieese, Sandro Silva, não fosse o aumento no preço do tomate, a variação da cesta seria de apenas 0,31%. Sem o aumento nos preços do tomate e batata juntos, a cesta teria deflação de 0,45% em agosto. No acumulado de janeiro a agosto, todas as capitais pesquisadas apontaram elevação no valor da cesta. As altas variaram no período de 7,66%, em Salvador, a 18,88%, em Florianópolis.
Ainda segundo o Dieese, o menor salário pago no País deveria ser de de R$ 1.596,11 em agosto para que o trabalhador conseguisse suprir as necessidades da sua família com alimentação, educação, moradia, vestuário, higiene, transportes, saúde, lazer e Previdência Social. A estimativa tem como base o custo da cesta básica verificado no mês passado em Porto Alegre, que foi de R$ 189,99, o mais caro entre as 16 capitais pesquisadas em agosto. Ou seja, de acordo com o Dieese, o menor salário pago ao trabalhador deveria ser mais de seis vezes superior ao mínimo vigente (de R$ 260) para atender a definição da Constituição. (Com Agência Folha)


