Desperdício na soja pode chegar a 30 milhões de sacas
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2002
Reportagem local 
O Brasil ainda perde muita soja por culpa do uso inadequado de peças da colheitadeira, principalmente por falta de uma boa regulagem desses equipamentos. Apesar dos esforços para reduzir as perdas, os erros se repetem, exigindo que os agricultores prestem mais atenção. Máquinas novas são mais seguras, mas também exigem bom conhecimento da mão-de-obra.
A colheita da soja já teve início em Mato Grosso, maior produtor do Brasil, e os sojicultores do Paraná, Minas Gerais, São Paulo e Goiás também se preparam para a colheita.
No Brasil, segundo a Embrapa, a área plantada de soja subiu de 13,7 milhões de hectares para cerca de 15,5 milhões na atual safra. A produção poderá aumentar de 37 milhões de toneladas para aproximadamente 41 milhões de toneladas.
Segundo a Conab, o Brasil exporta produtos do complexo soja para mais de 50 países. O consumo interno equivale a 39% de toda a soja produzida no País. Esse nível de produção deverá proporcionar uma exportação de grãos em torno de 17 milhões de toneladas, 1,55 milhão de t de óleo e 11 milhões de t de farelo.
Crescimento da produção nacional à parte, o sojicultor brasileiro continua desperdiçando parte do que produz durante a colheita. De acordo com os levantamentos da Embrapa Soja, estima-se que, no processo de colheita, os agricultores estejam perdendo mais de 2 sacas/hectare, um índice muito alto.
Eles podem deixar de colher na safra 2001/2002 mais de 30 milhões de sacas, resultando em prejuízos superiores a R$ 780 milhões, calcula o pesquisador Nilton Pereira da Costa, da Embrapa Soja.
Pereira da Cosa diz que cerca de 80% das perdas ocorrem pela ação inadequada dos mecanismos da plataforma de corte das colhedoras, formada por molinete, caracol e barra de corte. Uma peça importante é o molinete. A regulagem do molinete deve ser feita para que a sua altura toque no terço superior da planta, informa.
Estudos realizados pela Embrapa indicam que a velocidade da máquina deve variar entre 4 e 5 km/hora, permitindo o corte das plantas pelas navalhas e não a raspagem, que acaba causando perdas, explica.
Segundo a assessoria da Embrapa, todas essas informações são repassadas aos produtores por interméido de cursos e trenamentos em todas as regiões produtoras do Brasil. Os técnicos mostram como oocrrem as perdas, as causas e como as falhas no equipamento podem e devem ser resolvidas.
Para fazer o monitoramento das perdas e de todas essas informaões, a Embrapa soja desenvolveu um kit contra o desperdício, formado por um copinho volumétrico para avaliar índices de perdas em cada propriedade estudada. Também podem ser usadios um manual de utilização da tecnologia e um vídeo. Trata-se de material bem didático e de fáicil assimilação.


