Levantamento feito pela Embrapa aponta que o Brasil vai desperdiçar 4,2% da soja colhida na safra 2003/2004. O País cultiva cerca de 21 milhões de hectares e em cada hectare ficam, em média, duas sacas no chão. Considerando estes números, nesta safra, serão perdidas aproximadamente 42 milhões de sacas de soja. Isso equivale a cerca de R$ 2 bilhões, se cada saca for vendida a R$ 48,85.
''O aspecto preocupante é que a perda tolerável é de apenas 0,75 saca/ha, o que indica que serão irremediavelmente perdidas cerca de 1,25 sacas/ha'', calcula o pesquisador Nilton Pereira da Costa, da Embrapa Soja.
O desperdício poderia ser evitado com o monitoramento da operação de colheita. Para isso, a Embrapa Soja, desenvolveu um kit contra o desperdício, formado por um copo volumétrico para avaliar as perdas e um manual de utilização da tecnologia.
Os produtores de Cambé, no norte do Paraná, são o exemplo de que é possível acabar com o desperdídio de soja. Nesta região, a perda média é de 0,46 sacas por hectare. Há 12 anos, quando começaram a ser orientados pela Emater sobre o monitoramento das perdas, os produtores perdiam, em média, 2,4 sacas por hectare. ''O monitoramento da colheita permitiu que eles reduzissem o desperdício de soja em 521%'', calcula o extensionista da Emater-PR, Alcides Bodnar.
Pereira da Costa afirma que a principal causa do desperdício está relacionada a inadequação de mecanismos da colhedora, o que inclui a má regulagem de componentes da máquina. Cerca de 80% das perdas ocorrem pelo mau funcionamento dos mecanismos da plataforma de corte das colhedoras, formada por molinete, caracol e barra de corte. ''A troca de navalhas quebradas, o uso correto da velocidade do molinete e do cilindro trilhador e limpeza de outros componentes estão entre os ajustes que devem ser observados'', avalia.
A velocidade incorreta de trabalho e a falta de treinamento dos operadores das colhedoras também causam desperdício. Estudos indicam que a velocidade da máquina deve variar entre 4 e 6 km/h. As velocidades superiores a esses valores causam impactos e raspagem da haste. Com isso as vagens são arrancadas, o que induz a perdas.
O manejo inadequado das lavouras, antes da colheita, também contribui para aumentar as perdas. O solo mal preparado pode causar prejuízos na colheita devido a desníveis no terreno que provocam oscilações na máquina e desuniformidade no corte das vagens. A presença de plantas daninhas na lavoura também faz com que a umidade permaneça alta, prejudicando o bom funcionamento da colhedora.

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