O Brasil perde, em média, 15% dos alimentos que produz todos os anos por falhas no processo de produção, armazenagem e transporte. A quebra significa que a cada ano cerca de 11 milhões de toneladas de alimentos são simplesmente jogadas fora, enquanto 32 milhões de pessoas passam fome. A perda significa um prejuízo aproximado de US$ 9 bilhões, o que representa 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Os dados foram apresentados ontem pela secretária executiva do Comitê de Entidades Públicas no Combate à Fome e técnica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Conceição Contin, na abertura do simpósio ‘‘Desperdício: um desafio a ser vencido’’, realizado em Curitiba.
De acordo com Conceição, o Brasil perde 10% da soja, 17% do milho, 9% do trigo, 22% do arroz e 15% do feijão. Em média, a perda de grãos varia de 9% a 22%, mas é bem maior na área de frutas e hortaliças, que varia de 30% a 40%. Na área de carnes e leite, a perda cai para 2%.
‘‘O Brasil é um dos países que mais desperdiça alimentos e muitos países não conseguem produzir o que nós deperdiçamos’’, afirma a secretária executiva do comitê. Para ela, toda a sociedade tem que estar alerta para este problema e buscar soluções. ‘‘Programas como o Coopnutri e a Supersopa, desenvolvidos no Paraná, deveriam ser transformados em ações programadas e duradouras de combate à fome’’, disse.
Os dois programas citados pela técnica são desenvolvidos pela Ceasa, a partir de excedente de produção que, por pequenos defeitos, acabam sendo descartados pelo consumidor. Hoje, todo o excedente de produção é recolhido diariamente e repassado a famílias carentes que são cadastradas através de entidades filantrópicas. Parte da produção é transformada na supersopa, que é processada numa cozinha industrial instalada na Ceasa e enlatada para a distribuição também a famílias carentes.
O superintendente regional da Conab no Paraná, Eugênio Stefanelo, que também participou do simpósio, informou que no Paraná o índice de perda de alimentos é um pouco menor que o índice nacional, variando entre 10% e 12%. ‘‘Mesmo assim ainda é um índice muito alto’’, disse.
De acordo com Stefanelo, as perdas de grãos ocorrem principalmente por má regulagem de colheitadeiras, carretas inadequadas que fazem o transporte da safra e por pragas que atacam os produtos estocados nos armazéns.
Na área de horticultura e fruticultura, o superintendente da Conab só vê uma solução para reduzir o desperdício que chega a 40%. ‘‘O produto tem que sair embalado da propriedade do agricultor’’, afirma. Segundo ele, frutas e verduras são produtos extremamente perecíveis e o excessivo manuseio nas várias etapas da comercialização, desde o produtor até a gôndola do supermercado, acaba contribuindo para a sua deterioração.

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