Rio de Janeiro - A indústria fornecedora de insumos e equipamentos para o setor agrícola está encolhendo este ano, refletindo a perda de receita, aumento dos custos e do endividamento dos produtores. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mostram quedas de dois dígitos na produção de insumos e bens de capital, e nos investimentos do setor.
A produção de bens de capital para agricultura, por exemplo, despencou 38% em junho ante igual mês do ano passado. No acumulado do segundo trimestre do ano, quando a indústria em geral registra bom desempenho, houve um recuo de 41% ante igual período do ano passado. A produção de adubos, fertilizantes e corretivos para o solo vem ampliando a queda desde maio, atingindo 21% negativos em junho ante igual período do ano passado, o que resultou numa queda acumulada de 14% no primeiro semestre deste ano, enquanto a indústria em geral cresceu 5% no período, segundo os dados do IBGE.
No que diz respeito aos financiamentos do BNDES, enquanto os desembolsos totais do banco cresceram 17% no acumulado de janeiro a julho deste ano, os financiamentos voltados para o setor agrícola recuaram 33%.
O assessor técnico da Federação da Agricultura de Minas Gerais (Faemg), Pierre Santos Vilela, tem uma justificativa para tantos resultados negativos. Segundo ele, o produtor agrícola está descapitalizado e os custos estão crescentes, enquanto os preços das commodities estão excessivamente voláteis, com preponderância de queda no mercado internacional. ''Os produtores não deixam de produzir. A primeira providência é cortar investimentos em tecnologia'', explicou.
Foram reduzidos os volumes de insumos e adubos nas lavouras, com queda de produtividade - exatamente o principal ganho do setor agrícola no País nos últimos anos. No caso das máquinas e equipamentos, Vilela explica que, nos últimos cinco anos, houve uma renovação muito grande desses bens na agricultura, diminuindo um gargalo acumulado em décadas. Agora o endividamento dos produtores com os fornecedores desses equipamentos impede a continuidade da renovação da frota, que, segundo Vilela, ainda é necessária no campo.
Ele observou que o câmbio valorizado, ao mesmo tempo em que reduz custos para os produtores, traz dificuldades para os exportadores e estimula importações, ou seja, no fim é prejudicial para o setor. ''A questão do câmbio para o setor agrícola significa um risco muito alto'', alerta.
Concorda com Vilela o economista Claudio Considera, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), que observa que a receita dos exportadores do setor está caindo e, com a queda da renda do produtor, a capacidade de investimentos fica comprometida, como mostram os dados recentes da produção industrial.
Além dos efeitos da redução dos investimentos na agricultura sobre a produção industrial, a queda da safra agrícola neste ano, em relação ao ano passado, poderá também reverter uma sequência de ampliações de participação do setor agrícola no Produto Interno Bruto (PIB).
O técnico das contas nacionais do IBGE, Alexandre Ramos, disse que a fatia da agropecuária no PIB vem subindo consecutivamente desde 2001, quando era de 8,4%, e chegou a 10% no ano passado. Ele admite que, com a queda de 5% prevista para a safra deste ano ante 2004, especialmente por causa da quebra da produção no Rio Grande do Sul, essa fatia poderá voltar a retroceder em 2005.

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