Desoneração vai turbinar consumo, preveem empresários
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domingo, 19 de abril de 2009
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Sussumo Honda, afirmou ontem à FOLHA que as últimas medidas adotadas pelo governo federal para espantar a crise econômica mundial podem ter reflexos diretos no consumo. Desonerações em produtos da chamada linha branca e o aumento real do salário mínimo em 2009 podem provocar, segundo ele, ''um impacto gigantesco no consumo''. ''O aumento do poder aquisitivo do consumidor e as desonerações favorecem o setor de supermercados'', disse ele, em entrevista concedida antes da abertura do Mercosuper 2009, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
O otimismo também vai na esteira dos resultados pós-Páscoa, que apresentaram números ''surpreendentes'', segundo Honda. ''Houve uma redução nos preços dos ovos de chocolate e as vendas foram excelentes.'' Para o setor de supermercados, que já prevê para 2009 um desaceleração em função da crise financeira mundial, as recentes ações do governo federal representariam um refresco. ''Vamos crescer menos, mas continuaremos crescendo'', disse o presidente da Abras.
No Paraná, segundo destacou o presidente da Associação Paranaense dos Supermercados (Apras), Everton Muffato, o setor também se relaciona com a redução do ICMS de cerca de 100 mil produtos da cesta básica de consumo. ''A redução está sendo repassada integralmente para o consumidor final'', comentou ele. Muffato afirma que as recentes medidas do governo federal de fato podem turbinar o setor, em especial os supermercados que trabalham com produtos de linha branca. Ele corrobora, contudo, com a tese defendida pelo presidente da Abras em relação ao comportamento da economia. ''Nosso crescimento não será tão forte quanto do ano passado, inclusive porque em 2008 houve um aquecimento, mas esperamos manter uma taxa de 4% a 5%.''
Presente ontem na abertura do Mercosuper, o governador Roberto Requião disse que conta com os supermercadistas para enfrentar a crise e que espera que a redução nos produtos da cesta básica de consumo ''se mantenha''. O evento, organizado anualmente pela Apras, segue até amanhã com expectativa de movimentar cerca de R$ 600 milhões em negócios entre supermercadistas e fornecedores.
Orgânicos
Um setor que deve ser observado diante da crise econômica mundial é o de produtos orgânicos, que ocupa pelo segundo ano um espaço na 28 edição do Mercosuper. A ponderação é do presidente da Feira Orgânica, Lutero Couto. Ele afirma que, nos últimos cinco anos, o comércio mundial de orgânicos cresceu de 35% a 40%.
Couto admite, contudo, que o preço alto dos orgânicos continua sendo um empecilho. ''Hoje em dia produtos assim são consumidos pelas classes A e B, mas a nossa ideia é democratizar o consumo'', disse ele, ao mencionar um projeto piloto em fase de implantação na cidade de Maringá. ''Até 2012, todas as escolas da rede pública de Maringá vão adotar merendas orgânicas. Será uma referência nacional''.
A falta de organização do comércio de orgânicos seria outro empecilho. Segundo o coordenador da Grife Orgânica, Fábio Cunha, a maioria dos produtores de orgânicos ''são pequenos'' e não têm acesso aos supermercadistas.


