Desoneração e crédito prejudicam carro usado
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Wladimir D'Andrade <br> <br> Agência Estado 
São Paulo - Longe de provocar o mesmo efeito verificado no mercado de automóveis zero quilômetro, a desoneração do Imposto Para Produtos Industrializados (IPI) dificultou a vida dos empresários que vendem carro de segunda mão. Os preços recuaram assim como ocorreu entre carros zero quilômetro, mas as vendas dos usados tiveram uma queda de 0,9% no bimestre de junho e julho em relação ao mesmo período de 2011, quando não havia o benefício tributário, enquanto os emplacamentos de automóveis zero quilômetro cresceram 26,4%. Os empresários do ramo também reclamam da restrição ao crédito para a compra do seminovo, situação que levou a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) a pedir ao governo federal linhas de financiamento especiais para a compra de carros usados.
A diretora da Marte Veículos, Cleide Cossi, há 32 anos no segmento de seminovos, diz que a incerteza do mercado e a falta de preparo de parte dos empresários já levou a um fechamento de um número considerável de empresas. ''Há lojas de veículos seminovos encerrando as atividades num volume que nos parece bem significativo. Isso é preocupante'', afirma.
De acordo com ela, quando o IPI foi reduzido para o veículo zero quilômetro, os estoques das lojas de carros usados perderam valor. ''Os veículos do estoque foram comprados a um valor acima do preço que foram vendidos. Foi uma queda semelhante ao que ocorreu em 2008 e 2009'', diz. ''Dois grandes baques em pouco tempo.''
A prorrogação da validade do benefício pelo IPI de 31 de agosto para o final de outubro pode alongar o período de dificuldades para os carros usados. O economista da LCA Consultores Rodrigo Nishida explica que um benefício fiscal que alavanque as vendas de veículos zero quilômetro afeta diretamente o desempenho dos seminovos.
''No período de IPI reduzido, há um claro aumento das vendas para novos e queda para usados'', diz. De acordo com ele, o recuo nos preços do automóvel 0 km posicionou o bem como uma opção de escolha daquele consumidor que só tinha condições para adquirir um seminovo. ''E entre um e outro, a preferência é pelo carro novo'', afirma.
O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Flávio Meneghetti, já levou ao governo federal um pedido de criação de uma linha especial de financiamento de veículos usados para que seja enfrentado o outro grande problema do segmento, a dificuldade para o consumidor ter o crédito aprovado. Ele argumenta que, por conta do aumento da inadimplência no País, do comprometimento de renda do brasileiro ainda em nível elevado e do fato de o comprador de carro usado oferecer mais risco de calote do que aquele que busca um carro zero, só de 20% a 30% dos pedidos de financiamento são aprovados pelos bancos para veículos usados. Para novos, esse porcentual fica entre 55% e 60%, diz o presidente da Fenabrave.


