Os londrinenses pagarão cerca de 11% menos pela cesta básica, caso a proposta da presidente Dilma Rousseff de desoneração desses produtos seja implementada. O cálculo é do Instituto Brasileiro de Planejamento Orçamentário (IBPT) sobre o valor médio da cesta em Londrina, pesquisado pela Faculdade Pitágoras. Em janeiro, ela custou R$ 269,89 por pessoa (leia mais nesta página). Sem os tributos federais, custaria R$ 238,52.
Em entrevista concedida a emissoras de rádio ontem a presidente disse que pretende fazer a desoneração. "Nós estamos estudando a desoneração integral da cesta básica dos tributos federais. E o conceito de cesta básica está um pouco ultrapassado. Como a lei que definiu a cesta básica é bastante antiga, nós também estamos revisando os produtos que a integram, a fim de que possamos desonerá-los integralmente", afirmou a presidente.
A cesta básica é formada por 13 produtos (ver tabela) definidos em decreto federal de 1938. "No Paraná, a maioria desses produtos é isenta de imposto estadual (ICMS)", conta o supervisor de Estatísticas e Inteligência Tributária do IBPT, Othon de Andrade Filho. A pedido da reportagem, ele retirou os tributos federais da cesta, que são PIS, Cofins, Imposto de Renda e Contribuição Social.
Para quase todos os produtos, os impostos federais representam 11,53%, segundo o IBPT, menos para o açúcar, único sobre o qual incide Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e, por isso, o porcentual é mais alto: 16,53%. "11% de impostos é muita coisa se você pensar que o salário mínimo tem subido em torno de 6%, 7%", declara.
O presidente do instituto, João Eloi Olenike, concorda com a importância da desoneração da cesta básica, mas critica o fato de a presidente Dilma ter comentado essa possibilidade em entrevista, sem dar detalhes sobre a medida. "Ela deveria terminar os estudos primeiro. Do jeito que fez, parece mais que está jogando para a torcida", afirma.
O Coordenador da Pesquisa da Cesta Básica em Londrina, Flávio Oliveira dos Santos, diz que a desoneração dos produtos é importante porque irá beneficiar os mais pobres. Mas vê o risco de os 11% "serem abocanhados pelos intermediários". "Se isso não ocorrer, a medida vai elevar o poder de compra do consumidor", declara ele, que é economista e professor da Faculdade Pitágoras.

Imagem ilustrativa da imagem Desoneração deve reduzir preço da cesta básica em 11%



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