Desocupação aumenta com mais pessoas em busca de emprego
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terça-feira, 29 de setembro de 2015
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A taxa de trabalhadores desocupados aumentou de 8,0% no trimestre entre fevereiro e abril para 8,6% entre maio e julho, como resultado do desaquecimento econômico e do aumento do desemprego no País. Apesar da elevação da taxa, o número ocupados se manteve em 92,2 milhões entre os dois períodos, o que mostra que as dificuldades de sustento das famílias têm feito com que mais pessoas em idade economicamente ativa procurem um emprego. Os números são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (PNAD) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
O rendimento médio também recuou 0,9%, de R$ 1.897 para R$ 1.881 entre os dois períodos, atualizado pela inflação. Quando a comparação é feita em relação aos meses de maio a julho de 2014, a ampliação da desocupação é ainda maior. No trimestre do ano passado, a taxa de desocupação era de 6,9%, apesar do rendimento médio ter avançado 2,0%, a R$ 1.844. O movimento de aumento da taxa e o cenário ainda nebuloso na economia nacional fazem com que os economistas prevejam uma piora no cenário do emprego até o fim de 2015.
O diretor de pesquisas do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Daniel Nojima, afirma que a queda no rendimento das famílias, pelo desemprego ou pela pressão inflacionária, causa o movimento. "O jovem que estava apenas estudando, por exemplo, volta a pressionar o mercado de trabalho porque volta a procurar emprego", diz.
Para o presidente do Sindicato de Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes, aposentados também recomeçam a procurar empregos. "As pessoas começam a fazer bicos, a pegar subempregos, sem registro ou com salários de recolocação menores."
Conforme a PNAD, houve redução de 0,9% no número de empregados no setor privado com carteira assinada, ou 337 mil vagas em relação ao trimestre imediatamente anterior. Sobre maio a julho de 2014, a queda é maior, de 2,5%, ou 927 mil empregos. Ao mesmo tempo, a quantidade de trabalhadores por conta própria subiu 4,2% ante o mesmo trimestre do ano passado. "O índice de informalidade tende a aumentar e isso se reflete no rombo da Previdência", explica Antunes.
Nojima completa ainda que a perda do poder de compra interfere na confiança empresarial. "A renda menor das famílias diminui o consumo, que tira o interesse do empresário em investir. E, com a taxa de desemprego aumentando, diminui o poder de barganha do trabalhador por reajustes, ao contrário do que ocorreu nos últimos anos, por exemplo, com a construção civil."
O diretor do Ipardes acredita que o mercado de trabalho piore ainda mais, principalmente diante das expectativas de queda do Produto Interno Bruto (PIB) nacional de 2,8% neste ano em relação a 2014. E Antunes vê a situação ainda pior do que nos meses anteriores. "Essa crise econômica gerada pela crise política já preocupa o mercado de empregos pra o início do ano que vem", diz o presidente do sindicato.
Por região
O Sul registra a menor taxa, com 5,5%, apesar da ampliação a partir dos 4,1% do período entre maio e julho de 2014. Na sequência aparecem Centro-Oeste (de 5,6% nos três meses de 2014 para 7,4%), Sudeste (6,9% para 8,3%), Norte (7,2% para 8,5%) e Nordeste (8,8% para 10,3%). "Existem questões estruturais de cada região. O Nordeste, historicamente, tem uma taxa de desocupação maior", diz o diretor do Ipardes.
O agronegócio mais profissionalizado, por outro lado, acaba por diminuir os problemas nas regiões Sul e Centro-Oeste. "É um setor muito forte nos estados do Sul, exceção feita a capitais como Curitiba e Porto Alegre, que são mais industrializadas e sofrem mais", lembra Antunes.



