'Desinformação é o principal entrave para a exportação'
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Aline Vilalva <br> <br> Reportagem Local 
Há dois anos os irmãos Lucas e Tiago Prado Lone resolveram apostar na exportação e iniciaram um processo de estruturação da empresa, a Maxuell Bohr Acesso Digital, de Londrina, para adequá-la às exigências necessárias para ingressar no mercado externo. Após alguns contatos com empresas de outros países, em novembro do ano passado os empresários fizeram a primeira exportação para Angola. O principal entrave, segundo eles, foi saber como chegar ao mercado de outro país. A falta de informação está entre as maiores dificuldades apontadas pela coordenação nacional do Projeto Extensão Industrial Exportadora (Peiex) para uma empresa que deseja começar a exportar.
O produto enviado pela Maxuell Bohr a Angola foi o aceno digital: um sistema de atendimento utilizado em estabelecimentos de alimentação para o cliente chamar o garçom com apenas um toque no equipamento colocado sobre a mesa. ''A primeira comercialização ocorreu após seis meses de contatos, em pequena quantidade e ainda em fase inicial, mas já merece comemoração'', afirma Lucas, completando que ele e o irmão têm o intuito de ampliar as negociações, tanto com empresas de Angola quanto de outros países. ''Nos últimos meses tivemos várias consultas de interesse do exterior. O próximo cliente pode ser Portugal, pois os contatos estão encaminhados'', conta Tiago.
Os empresários avaliam que o idioma é outro aspecto que pesa durante a comercialização com o mercado externo. ''É uma barreira natural. Prova disso é que o nosso primeiro cliente utiliza a língua portuguesa e o próximo provável comprador (Portugal) também'', observam. De olho nesta demanda, de curto a médio prazo, os irmãos pretendem também disponibilizar o produto em inglês e espanhol no site da empresa.
Durante os dois anos de preparação para começar a exportar, os empresários contaram (e ainda contam) com assistência do núcleo local do Peiex, que a exemplo do trabalho desenvolvido nas demais empresas de Londrina, chamou a atenção deles aos tópicos que deveriam ser melhorados e aqueles que mereciam ser otimizados.
De acordo com o coordenador nacional do Peiex, Leonardo Deppe, a falta de informação é o principal entrave para que uma empresa de pequeno ou médio porte comece a exportação. ''O primeiro problema que elas enfrentam é não saber do que se trata. Não conhecem o que o mercado lá fora exige; que têm de passar por uma certificação; que é importante proteger a marca; desconhecem os documentos necessários; não sabem formar uma lista de preço para exportação e qual a embalagem adequada'', elenca.
Muitas vezes, completa Deppe, uma empresa não consegue exportar sozinha, precisa de uma parceria qualificada, que ensine o caminho. E neste viés, o Peiex oferece subsídio, abrindo portas para que ela possa buscar auxílio, por exemplo, junto a tradings (comerciais exportadoras), aos Correios - que têm o Exporta Fácil - e várias ações da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), como rodadas de negócios, que facilitam contatos com os parceiros corretos.
O Peiex desenvolve ações de melhoria de competitividade e de promoção da cultura exportadora. ''A exportação não pode ser imposta, tem de ser uma decisão da própria empresa. No entanto, ela só se dispõe a dar um passo para o comércio exterior quando se sente com uma gestão mais desenvolvida'', reitera o coordenador nacional. O atendimento do Projeto é gratuito e a prioridade são as pequenas e médias empresas.



