|
  • Bitcoin 151.337
  • Dólar 5,0617
  • Euro 5,2630
Londrina

Economia

m de leitura Atualizado em 01/05/2022, 17:01

Desindustrialização é desafio ao mercado de trabalho em Londrina

Setor vem perdendo força ao longo dos anos no município e participação no PIB do município baixou de 23,3% para 15% em duas décadas

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de maio de 2022

Simoni Saris - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

Foto: iStock
menu flutuante

A geração de empregos formais em Londrina no primeiro trimestre de 2022 teve o melhor resultado para o período nos últimos quatro anos. O município encerrou março com saldo positivo de 218 postos de trabalho com carteira assinada e, de janeiro a março, foram criadas 1.738 vagas. O balanço aponta um contingente de 157.042 londrinenses com contrato de trabalho. Mas apesar do bom momento, um desafio que se impõe â criação de empregos de qualidade é vencer o processo de desindustrialização que tem caracterizado a economia local.  

No início dos anos 2000, a participação da indústria no PIB (Produto Interno Bruto) de Londrina era de 23,3% e, atualmente, não chega a 15%, destacou o economista Marcos Rambalducci. “A importância deste setor é que ele se caracteriza por agregar valor ao produto, é capaz de produzir em escala e atende mercados de fora, trazendo dinheiro para a cidade.” 

O enfraquecimento da atividade industrial, ressaltou o economista, não é um problema isolado de Londrina, que registrou perda de postos de trabalho no setor em fevereiro e março. “Quando se volta o olhar para as cidades onde a indústria tem uma participação maior no PIB, quando a economia tende a se recuperar, este setor serve de alavanca para todos os demais”, afirmou Rambalducci. 

Segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgado na quinta-feira (28_ pelo Ministério do Trabalho e Emprego, Londrina lidera a lista dos municípios paranaenses que mais fecharam postos de trabalho na indústria no Estado, com saldo negativo de 152 vagas. Na sequência, os municípios com pior resultado no setor foram Pato Branco (-140), Ubiratã (-96), Tapejara (-92) e Curitiba (-76). 

A indústria no Paraná teve uma redução significativa nas novas contratações em março. Embora o setor continue abrindo vagas, o ritmo de geração de postos de trabalho caiu desde março de 2021. dos 8.639 novos postos de trabalho criados no Estado no mês passado, a indústria gerou 1.114 deles, sendo o segundo setor que mais abriu oportunidades de emprego, superado apenas por serviços, com saldo positivo de 5.404 vagas.  

Mas tanto as vagas gerais de empregos quanto as da indústria tiveram redução em março na comparação com fevereiro. O recuo chega a 69%, avaliando todos os empregos gerados, e a 65% considerando apenas o setor industrial. Ante março de 2021, o resultado da indústria se repete, com retração de 78% na geração de empregos formais. Neste ano, o setor abriu 10.406 novas vagas, sendo 10.396 na indústria de transformação. O resultado está 55% abaixo do verificado no primeiro trimestre de 2021, quando as indústrias paranaenses abriram 23.246 postos de trabalho. 

“O ritmo de contratações claramente vem caindo desde março de 2021, quando a indústria vinha num movimento de forte retomada dos empregos. Esta condição pode ser reflexo da situação econômica do país”, avaliou o economista da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), Thiago Quadros. O alto índice de inflação atingido em março, um dos maiores para o mês desde 1994, a queda do índice de confiança do empresário observada no mês passado e o IPP (Índice de Preços ao Produtor), que mede a inflação do setor industrial, em alta de 3,1%, são apontados pelo economista como fatores que ajudam a explicar a queda no nível de emprego do setor.  

CONSTRUÇÃO CIVIL E TURISMO 

Em contrapartida à desaceleração no nível de empregos na indústria, Rambalducci destaca como ponto positivo, ao menos em Londrina, a construção civil, que recobra a dinâmica de novas contratações. “(O setor) foi responsável por 72,4% do resultado positivo na geração de emprego formal na cidade.”

O economista defende ainda um investimento maior em turismo pelo município, setor que, segundo ele, guarda características muito semelhantes com a indústria. “Só que em vez de trazer o dinheiro de fora, traz o próprio consumidor para comprar aqui e daqui. Além disso, é um grande gerador de empregos em ampla gama de formação educacional”, disse Rambalducci. “Se precisamos estabelecer metas de crescimento do emprego em nossa cidade, os desafios estão em investir nestes dois setores, indústria e turismo. Os demais serão levados a reboque.” 

Receba nossas notícias direto no seu celular! Envie também suas fotos para a seção 'A cidade fala'. Adicione o WhatsApp da FOLHA por meio do número (43) 99869-0068 ou pelo link wa.me/message/6WMTNSJARGMLL1.