Carmem Murara
De Curitiba
A desigualdade social no Brasil se mantém inalterada desde 1977, quando o País vivia sob os domínios da ditadura militar. A abertura política, as mudanças na economia e nem mesmo a globalização fizeram com que houvesse redução ou crescimento na diferença da distribuição de renda do brasileiro. Os pobres continuam pobres e os ricos mantêm suas fortunas exatamente como ocorria há 22 anos. A concentração dos mesmos níveis de pobreza foi abordada ontem em uma palestra feita pelo presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisas Econômica Aplicada (Ipea), Roberto Martins.
Martins esteve em Curitiba para participar do 4º Encontro Nacional das Instituições de Pesquisa e Estatísticas. A reunião vai até amanhã e será a oportunidade para que os institutos de todo o País discutam as metodologias e pesquisas feitas hoje. Ao final do encontro, eles pretendem criar um estatuto para a Associação Nacional das Insituições de Pesquisas e Estatísticas.
Na abertura do encontro, a explanação de Martins chamou atenção dos participantes. Ele fez questão de enfatizar que não basta o crescimento econômico para reduzir a desigualdade social da população. ‘‘Não precisamos crescer economicamente para redestribuir a renda e acabar com a pobreza, o que precisamos é investir em educação, reforma agrária e crédito para as pessoas de baixa renda’’, defendeu o presidente do Ipea.
Para provar que desenvolvimento não traz redistribuição da riqueza, Martins citou que nenhum pacote econômico baixado nas últimas duas décadas mudou a situação do País. Os 10% mais ricos continuam a deter metade da renda nacional, situação que se mantém inalterada desde 77. Enquanto isso, os 50% mais pobres têm 13% da renda. Eles representam 80 milhões de pessoas.
Abaixo da linha da pobreza, vivem hoje 52 milhões de brasileiros. Eles eram 66 milhões antes do Plano Real, o que mostra que o fim da inflação foi benéfico para quem estava à margem da economia nacional. ‘‘Temos que destacar aqui, que apesar desta redução não houve mudança na desigualdade social e agora, sem inflação, fica mais difícil tirar as pessoas da miséria’’, afirmou Martins. Para o Ipea, estão abaixo da linha da pobreza as pessoas que têm uma renda igual ou inferior a R$ 115 por mês.
Hoje, a renda per capita do brasileiro é de R$ 5,6 mil ou de US$ 6.480 ppc (ponderação do poder de compra). Alguns países africanos têm renda per capita de US$ 300 ppc, enquanto países ricos como Estados Unidos têm uma renda per capita de US$ 15 mil ppc. Segundo o Ipea, 80% da população mundial tem renda per capita menor que a do Brasil.Presidente do Ipea diz em Curitiba diz crescimento econômico não muda distribuição de renda
Arquivo FolhaPAÍS DOS CONTRASTESNo Brasil, pobres continuam pobres e ricos mantêm suas fortunas como ocorria há exatamente 22 anos: para o Ipea, a saída é o investimento na edução, a reforma agrária e o crédito para as pessoas de baixa renda

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