Desigualdade de renda fica estagnada no País
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sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - A desigualdade de renda no Brasil ficou praticamente estagnada em 2012. O principal motivo é que o rendimento das faixas de renda mais alta cresceu num ritmo mais acelerado do que as de renda menor, especialmente no extrato do 1% mais rico da população. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).
O dado que evidencia a concentração maior de renda indica que o rendimento dos que estão no topo da pirâmide (1% mais ricos) cresceu 10,8%, numa velocidade superior à média e às faixas de menor remuneração. Enquanto isso, a renda dos 10% mais pobres cresceu 6,6%, o que mostra o grande abismo entre as duas camadas da população. Esses dados consideram apenas o rendimento do trabalho, que teve crescimento médio de 5,8% de 2011 para 2012.
A pesquisa mostrou ainda que a faixa dos 1% mais ricos aumentou sua participação no total de rendimento de 12% para 12,5% de 2011 para 2012. Já na base da pirâmide, a fatia se manteve em 1,4%.
O economista e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Londrina Marcio Luis Massaro acredita que o desempenho da economia em 2012 contribuiu para a desigualdade ficar estagnada. Ele lembrou que no ano passado, o mundo todo sentiu os reflexos da crise mundial que afetou principalmente os Estados Unidos e a Europa, mas respingou na economia mundial como um todo.
"As pessoas que têm um capital maior podem se precaver no sentido de escolher aplicações melhores no mercado financeiro", disse. Já o assalariado viu a sua renda crescer menos em 2012, devido à pressão inflacionária forte, explicou ele. "Quem mais paga o custo da inflação é o assalariado", destacou.
Segundo ele, houve melhora na taxa de desemprego, mas o emprego gerado não foi de qualidade no sentido de remuneração. "Tem mais gente trabalhando, mas estes empregos remuneram menos", analisou.
Como consequência da disparidade do aumento da remuneração de ricos e pobres, o Índice de Gini (medida de distribuição de renda) dos rendimentos do trabalho reduziu sua velocidade de queda e ficou em 0,498 em 2012. Quanto mais perto de zero, menor é a desigualdade. Em 2011, havia sido de 0,501, número apenas 0,03 maior que em 2012, ou seja, quase estável.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Fabiano Camargo da Silva disse que o crescimento econômico é importante para a redução da desigualdade, mas também depende de outros fatores como melhora da educação, da saúde e do acesso a serviços públicos de qualidade. Um aspecto positivo da pesquisa foi a redução da taxa de desemprego de 6,7% para 6,1% entre 2011 e 2012.
Futuro
No fechamento de 2013, Marcio Massaro acredita que a desigualdade de renda pode continuar no mesmo patamar de 2012 ou até pior. Isso porque a economia não está crescendo o esperado. "É uma situação crônica", disse.
Para ele, é preciso mudar a educação na base da pirâmide da população, ou seja, nas camadas de menor renda. "Enquanto tiver gente disponível a aceitar o preço que o mercado oferece pela mão de obra, a renda não melhora. É preciso ter gente mais qualificada para o mercado pagar mais", destacou.
Massaro disse que se não tivesse os programas sociais a situação estaria pior. Ele defende que o governo teria que dar condições de vida decentes com os serviços públicos. "Precisa uma visão que ultrapasse os quatro anos de governo", alertou.
Para Fabiano Silva, o que pode contribuir para diminuir um pouco a desigualdade em 2013 é o salário mínimo que ajudou no aumento da renda, os salários com aumento real e os programas sociais. (Com Folhapress)

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