Curitiba - O design, visto antes como acessório estético, tem alavancado os negócios em micro e pequenas empresas no Brasil. Dados de uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que em 75% das micro e pequenas empresas do País, houve aumento de vendas em função da utilização do design, e 41% reduziram custos de produção.
Ao mesmo tempo em que detectou que as grandes empresas foram as que mais se beneficiaram do uso do design, a pesquisa apontou alto desconhecimento das micro e pequenas empresas sobre os benefícios da ferramenta. A pesquisa consultou 500 empresas de diversos setores.
O presidente do Sebrae Nacional, Silvano Gianni, explica que o design estratégico é uma agregação de valores, que aborda as questões não somente visual e estética, mas também utilitária, de funcionalidade e competitividade. Segundo ele, o design estratégico envolve também a redução do uso de insumos, de componentes e do tempo de produção.
Gianni destacou que o design deve fazer parte de todo produto, como fator competitivo diferencial de uma empresa ou de um sistema de empresas. Sua utilidade vai desde a indústria moveleira, o setor do vestuário que deixaria de ser obreiro e passaria a ditar moda ao setor agroindustrial, como as embalagens que diferenciam um mesmo produto de uma marca e outra, fazendo-os competitivos pelo atrativo diferencial do design de sua embalagem.
Segundo o Sebrae, as micro e pequenas empresas representam 99% dos 4,1 milhões de empresas formais brasileiras. Esse segmento representa, no Brasil, 4 milhões de empresas formais que, somadas aos 9,5 milhões de empreendedores autônomos ou empresas informais, segundo o IBGE, contribuem com 29% do PIB brasileiro. Segundo dados do Cadastro Central de Empresas do IBGE, das 4 milhões de micro e pequenas empresas formais que existem no Brasil, cerca de 2 milhões estão concentradas no setor do comércio, 1,4 milhão são do setor de seviços e 550 mil são do setor de indústrias.
No Paraná, segundo o Sebrae, existem cerca de 270 mil pequenas e micro empresas. O técnico do Sebrae e superintendente da Federação das Associações Comerciais Industriais e Agropecuárias do Paraná (Faciap), Agnaldo Castanharo, afirma que o Estado tem mercado para o design estratégico pois é uma necessidade de sobrevivência em meio a competitividade.
Segundo ele, trabalhar com design estratégico não implica diretamente no aumento de gastos. ''Tudo vai depender da concepção do produto, que envolve materiais a serem utilizados, tipo de mão-de-obra, tempo de trabalho e do público alvo a ser atingido.'' De acordo com Castanharo, a empresa pode, muitas vezes, reduzir gastos utilizando o design estratégico porque a técnica envolve planejamento, essencial para o sucesso de qualquer empresa.

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