Desfecho sobre aftosa está próximo
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sexta-feira, 08 de setembro de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
O desfecho sobre a incidência da febre aftosa no Paraná parece estar bem próximo do fim. Até o final deste mês, a comissão de necropsia deve se reunir para elaborar o laudo conclusivo sobre a questão a partir dos diagnósticos laboratoriais de material coletado dos bovinos sacrificados em março. Entre o final de 2005 e o início deste ano o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirmou sete focos da doença em cinco municípios do Estado: Bela Vista do Paraíso, Grandes Rios, Loanda, Maringá e São Sebastião da Amoreira.
Para confirmar a doença no Estado, técnicos do Mapa utilizaram exames de sorologia, uma vez que algumas amostras reagiram positivamente à incidência da doença; e a vinculação epidemiológica, já que alguns bovinos foram trazidos do Mato Grosso do Sul (Estado que registrou os primeiros focos da doença) e comercializados em um leilão realizado em Londrina. O vírus da aftosa nunca foi isolado em amostras do rebanho paranaense. Para que a comissão de necropsia finalize seus trabalhos falta apenas um exame para ser concluído.
O laboratório da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Botucatu (SP), está fazendo a análise histológica do material (análise microscópica dos tecidos). Segundo o professor Raimundo Tostes, doutor em Patologia Animal e coordenador do curso de Medicina Veterinária da Fazenda Cesumar, esse diagnóstico deverá ficar pronto durante esta semana. ''Depois desse resultado a comissão de necropsia irá se reunir em Curitiba para elaboração do laudo final'', comentou. Ele preferiu não adiantar detalhes de outros exames já finalizados porque ainda não foram discutidos tecnicamente.
Ação judicial - Na ação judicial que o pecuarista André Cristiano Muller Carioba, proprietário da Fazenda Cachoeira (localizada no município de São Sebastião da Amoreira) move contra a União e o Estado do Paraná o Mapa juntou laudos de alguns dos exames realizados pela Organização Pan-Americana da Saúde, que foram feitos a pedidos dos pecuaristas envolvidos no caso. A conclusão juntada ao processo afirma que não foi feito o isolamento viral, mas que ''identificação de anticorpos indicam evidência sorológica para febre aftosa em alguns animais''.
Pelos laudos apresentados houve reação sorológica positiva nos seguintes bovinos necropsiados: um da Fazenda Flor do Café (Bela Vista), dois da Fazenda São Paulo (Loanda), três da Fazenda Pedra Preta (Maringá), quatro da Fazenda Cachoeira (São Sebastião da Amoreira) e um da Fazenda Santa Izabel (Grandes Rios). Bovinos das fazendas Cesumar (Maringá) e Alto Alegre (Loanda) não apresentaram reação aos exames. No entanto, na avaliação de Tostes, a conclusão apresentada no laudo da Organização ''é a mesma do início do processo'', quando os focos foram confirmados pelo Mapa com base na sorologia positiva.
''O vírus não foi isolado e essa sorologia apresentada é confundível com a vacinação. O pequeno número de animais reagentes não é compatível com o quadro da doença, é típico de vacinação. Tudo o que há de mais moderno em exames foi utilizado nesse caso e esses exames foram incapazes de mostrar o vírus, por isso, dentre todos os exames que foram feitos, essa sorologia é irrelevante'', salientou o professor.
Pelas normas da Organização Mundial de Saúde (OIE) o vírus persiste nas vísceras dos animais infectados por 180 dias e, portanto, ele lembra que se algum bovino tivesse sido infectado pelo vírus da aftosa, haveria o isolamento viral.


