Desequilíbrios vão se acentuar, diz CNI
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terça-feira, 04 de fevereiro de 1997
Agência Estado, do Rio de Janeiro 
Os desequilíbrios existentes na economia brasileira tendem a se acirrar, segundo o Informe Conjuntural de janeiro, do Departamento Econômico da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Conforme o documento, o desempenho da balança comercial não dá sinais de que possa melhorar rapidamente. Permanecem as indicações de que as importações vão aumentar, apesar de que as exportações brasileiras cresceram somente 2,67% em relação a 1995, enquanto que o comércio mundial se expandiu em 7%, aproximadamente. Além disso, o déficit público operacional acumulado até novembro foi de 3,91%, enquanto que no ano anterior havia sido registrado superavit de 0,4%.
De acordo com o Informe, esses desequilíbrios exigem correção, mas é preciso tomar cuidado para que não se apliquem as soluções erradas. Uma delas, na opinião da CNI, seria frear a economia, exatamente um dos remédios de curto prazo em debate. Restrições ao consumo, e consequentemente ao crescimento econômico, têm sido defendidas como armas para fazer cair as importações e aumentar as exportações (já que as empresas buscariam o mercado internacional para vender o que não conseguiriam colocar no mercado doméstico).
Na CNI, contudo, a posição é contrária a esse tipo de solução, já que o ritmo da expansão hoje é muito menos intenso do que no início de 1995, quando o governo deu um violento tranco na atividade econômica. Adicionalmente, lembram, agora o Brasil não enfrenta problemas de financiamento externo - o País tem conseguido atrair capitais estrangeiros estáveis, que reduzem as preocupações quanto ao financiamento do déficit em conta corrente, para o qual o resultado da balança comercial tem colaboração decisiva.
O freio, segundo a CNI, tanto afetaria a saúde financeira de pessoas e empresas, como também do próprio governo, já que as restrições ao consumo teriam de ser feitas por intermédio de elevação das taxas de juros - e a União, Estados e Municípios sofreriam um forte impacto, já que tem um endividamento muito alto. Isso, portanto, ampliaria o déficit público, vale dizer, dificultaria sobremaneira o outro grande desequilíbrio da economia brasileira.


