RIO DE JANEIRO - Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), liderado pela economista Lena Lavinas, mostra que, de 1987 a 1995, houve no Brasil uma redução de 1,7% no desequilíbrio regional da renda per capita familiar. A renda familiar per capita é a soma de todos os rendimentos de cada família dividida pelo total de membros do grupo, incluindo os que não trabalham.
De acordo com o trabalho, essa redução da desigualdade de renda teve razões diversas nos períodos de 87 a 93 e de 94 a 95. Na primeira fase, segundo o estudo, a redução da desigualdade se deu por conta de uma ‘‘reequilíbrio negativo’’, ou seja, foi decorrente de uma redução da renda nas regiões mais ricas e de uma estagnação nas mais pobres.
De acordo com o trabalho, de 87 a 93 a taxa de crescimento médio dos quatro Estados mais ricos da Federação foi negativa em 2,85%. Já os quatro Estados mais pobres cresceram a uma taxa média de apenas 0,25%.
Já quando as contas incluem os anos de 94 e 95, o estudo verifica que o crescimento negativo dos Estados mais ricos passa para uma média positiva de 0,32% de 87 a 95, enquanto a média dos Estados mais pobres passa para 1,51% no mesmo período. Não há dados exclusivos de 94/95.
‘‘Podemos concluir que a estabilização econômica, consolidando-se, poderá vir a ser interpretada como um elemento favorável ao reequilíbrio positivo das rendas entre as famílias brasileiras’’, diz o texto do trabalho. Apesar dessa perspectiva favorável, o tom geral do estudo não é de otimismo. Isso porque, segundo Lena Lavinas, mesmo com essa tendência ao reequilíbrio das rendas familiares, no campo da produção econômica geral o quadro é de retomada do fosso entre os Estados mais ricos e os mais pobres.

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