Um conjunto de ações articuladas por segmentos diferentes de uma cidade é que fazem com que ela se desenvolva e crie autonomia em seus diversos setores. Foi para falar das contribuições para o desenvolvimento de Londrina que Ivan Frederico Lupiano Dias, professor de Física da Universidade Estadual de Londrina reuniu textos escritos ao longo de quase 20 anos no livro ''Contribuições para o desenvolvimento tecnológico de Londrina''. A obra será lançada hoje no Bar Brasiliano, às 19 horas.
A cidade atualmente conta com um grande número de empresas ligadas à tecnologia, agrega várias entidades com vistas ao desenvolvimento deste setor, tem uma incubadora tecnológica, um parque tecnológico e leis de incentivo específicas. No entanto, embora faltem estatísticas que indiquem a evolução do segmento, alguns fatores mostram o seu crescimento.
O Parque Tecnológico Francisco Sciarra, que tem três empresas, aguarda a aprovação de projetos pelo Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia. Além disso, a Câmara de Veradores ainda deve aprovar a inclusão de outras três. Também está em construção o Tecnocentro, no parque, onde serão realizados serviços especializados, salas e equipamentos de uso comum, como espaço para incubadoras, laboratórios e escritórios.
Em 2012, outras dez empresas deverão ser certificadas com o MPS.BR (Melhoria de Processos do Software Brasileiro), o que vai tornar o Paraná o Estado com mais certificações.
Elemento indutor
No entanto, na visão do professor Ivan Dias, para que o município seja, de fato, um polo tecnológico, o poder público precisa exercer o papel de elemento indutor. ''Em cima de discussões, incluir algumas metas para a cidade que poderiam levar mais rapidamente a criação de infraestrutura'', diz.
Ele cita exemplos de polos tecnológicos como Campinas e São Carlos, localizados no interior de São Paulo. Para chegar a esse ponto, é preciso ter em mente as necessidades e elencar as demandas, como incubadoras tecnológicas, laboratórios de ponta, cursos de engenharia e mesmo cursos de ensino técnico, voltadas para formação de pessoas.
Na opinião de Dias, alguns instrumentos foram, e são, indispensáveis para o crescimento do setor. Os cursos de engenharia e as incubadoras industriais e tecnológicas são alguns exemplos. ''Os engenheiros são um recurso humano essencial para o desenvolvimento tecnológico moderno. Se não tiver esse tipo de profissional, não tem desenvolvimento'', afirma. Na sua opinião, o ensino superior está crescendo na cidade, mas ainda sente os reflexos da mão de obra escassa.
''Estudantes no segundo ano de curso estão sendo chamados a entrar em obras pelas empresas locais em função do desenvolvimento da cidade e do País e em função da inexistência de profissionais formados em quantidade suficiente para atender a demanda desse nível de crescimento'', comenta o professor.
As incubadoras industriais e tecnológicas oferecem as condições necessárias para as empresas sobreviverem no mercado. ''O problema da criação de empresas é a mortalidade'', salienta. E o que determina a sua sobrevivência é o conhecimento de conceitos como capital de giro, mercado financeiro, marketing e potencial de mercado. ''A estrutura das incubadoras garante uma diminuição muito grande dessa mortalidade'', salienta.

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