Por muitos anos a cultura cafeeira liderou a economia paranaense levando riqueza a muitas famílias que se instalaram no Paraná em meados do século XX. Apesar da cafeicultura ter sido predominante no Norte do Estado, muitos pioneiros não quiseram investir no setor e optaram por outro tipo de cultura. A família Venturelli foi uma delas. Na triticultura, eles conseguiram imprimir uma marca, hoje, o Moinho Globo. Criada em 1954 no município de Sertanópolis, a empresa tornou-se, depois de muitas safras, uma das mais respeitadas do segmento no Brasil.
Quando iniciou suas atividades, o moinho processava apenas pequenas quantidades de trigo para a fabricação de farinha, que era comercializada na própria região. Naquela época, poucos apostavam na atividade, já que a produção de trigo estava concentrada principalmente no Rio Grande do Sul. Mesmo com reduzidas variedades disponíveis para a produção do cereal em climas mais quentes, como o do Norte paranaense, a família persistiu. Tudo o que ela ganhava com a produção, investia na própria empresa e em seus funcionários.
Hoje, o Moinho Globo comercializa além da farinha de trigo, uma gama de produtos que envolve mistura para pães e bolos, macarrão, fermentos, entre outros itens alimentícios. De acordo com Giancarlo Venturelli, presidente da empresa, membro da terceira geração da família, a receita para o sucesso do negócio é ter uma equipe comprometida e sempre inovar. Paulo Florencio, gerente geral da empresa, explica que a família Venturelli sempre esteve em busca de produtos inovadores. ''Em 1990, a empresa investiu muito em equipamentos. Hoje o mix de produtos conta com uma indústria moderna'', conta.
Quando iniciou as suas atividades, o Moinho Globo produzia apenas 40 toneladas de farinha por dia. Hoje, ele é o terceiro maior moinho de trigo em volume de produção do País, com capacidade de 450 toneladas/dia. Com essa produção e todo o seu portfólio de produtos, a empresa espera faturar neste ano R$ 131 milhões, 7% a mais se comparado a 2011. ''O nosso planejamento era crescer 12% em 2012, mas devido à queda do consumo de matéria-prima, a perspectiva reduziu'', explica Florencio.
Segundo ele, o crescimento também não será maior porque o consumidor brasileiro está preocupado com os seus endividamentos. Mesmo assim, ele revela que o Moinho Globo está ampliando sua presença no mercado com a distribuição de produtos em todo o território nacional. Florencio afirma que já são encontrados itens da marca nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Para não faltar matéria-prima para atender toda essa demanda, o Moinho Globo tem uma parceria com 120 produtores da região. ''O moinho garante a esses agricultores o preço do dia. Além disso, eles recebem um suporte de técnicos da empresa que indicam de que forma eles devem realizar tratos culturais, quais as variedades recomendadas, entre outras indicações'', sublinha. Questionado sobre os principais desafios enfrentados hoje pela empresa, a dependência da importação por trigo importado ainda é o principal gargalo enfrentado pela empresa.
Sucessão
Por ser uma empresa familiar, sucessão é uma palavra que não é deixada de lado pela família. Giancarlo Venturelli já prepara o seu filho de 29 anos para assumir o negócio. Segundo o dirigente, o comprometimento com o trabalho é algo essencial para quem quer liderar a empresa. Para garantir o bom desenvolvimento da instituição, todo o corpo de gerentes é formado por profissionais contratados.

Imagem ilustrativa da imagem Desenvolvimento que veio com o trigo
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