Desenvolvimento não vem por de 'canetadas', afirma Malan
O ministro da Fazenda Pedro Malan afirmou ontem que o desenvolvimento econômico e social não vem de canetadas presidenciais, mas de trabalho sério. Durante palestra em São Paulo, ontem, Malan voltou a classificou de falso dilema a discussão em torno da opção por uma política econômica monetarista ou desenvolvimentista. Ele já havia feito comentário semelhante no início da semana. Não existe incompatibilidade entre manter a inflação baixa e o crescimento, afirmou o ministro. Segundo ele, a inflação sob controle ajuda no crescimento. É muito fácil gerar uma bolhazinha de crescimento no curto prazo. Não é o que queremos.
Para Malan, há amplo espaço para o desenvolvimento econômico e social sem que haja necessidade de redefinir prioridades. O ministro Malan afirmou que os juros reais e nominais poderão ser reduzidos, se prevalecerem algumas condições. Entre elas, a reforma da Previdência, que ele classificou como o mais grave problema orçamentário do país.
A Previdência é a espada de Dâmocles pairando sobre as finanças públicas, disse Malan, referindo-se a um mitos gregos que simboliza riscos ou ameaças iminentes.
Dâmocles era um dos membros da corte de Dionísio 1º, tirano de Siracusa (século 4 a.C.), a quem invejava. Para dar uma lição, Dionísio 1º fez com que Dâmocles o substituísse em um banquete, tendo de permanecer com uma espada sobre a cabeça, presa apenas por fios de crinas de cavalo - assim, o tirano pretendia mostrar os riscos de exercer o poder.
Malan disse que neste ano a Previdência gastará cerca de R$ 100 bilhões com pagamentos de benefícios, tanto do setor privado quando do público. A arrecadação, por sua vez, ficará em torno de R$ 50 bilhões a R$ 55 bilhões. Isso produzirá um déficit entre R$ 45 bilhões e R$ 50 bilhões, que será coberto pelo Tesouro, por impostos adicionais e mais endividamento, afirmou, completando que o déficit da Previdência equivale a duas vezes e meia os gastos com a saúde.Marie Hippenmeyir/France PresseDiscursoO ministro Pedro Malan classificou de falso dilema a discussão em torno da opção por uma política econômica monetarista ou desenvolvimentista: Não existe incompatibilidade entre inflação baixa e crescimentoAgência Folha





