O ''espetáculo do crescimento'' prometido pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) logo no início do seu primeiro mandato não aconteceu, segundo analistas econômicos. O Brasil amargou uma das piores taxas de crescimento da América Latina e, agora, neste novo mandato, o assunto voltou à tona. No entanto, diante do quadro atual da economia, algumas variáveis precisam ser alteradas ou a situação se repetirá: altas taxas de desemprego, importações em franco crescimento e poucos investimentos na infra-estrutura do País.
''Não adianta discutir reformas política, administrativa e previdenciária. Para promover o crescimento é preciso modificar a política econômica porque os investimentos estão na razão inversa da taxa de juros reais. O custo do dinheiro não pode ser inibidor das aquisições da indústria e do respectivo custo de produção'', observa o economista Ismael Mologni. Na avaliação dele, basicamente três pontos da economia precisam passar por mudanças: taxa de juros, política cambial e o crédito ao consumidor.
Segundo Mologni, a taxa de juros deveria ser somente até três pontos superior à inflação. ''O Tesouro destina R$ 93 bilhões para pagamento de juros aos 'rentistas', o que impossibilita investimentos em infra-estrutura. A taxa de juros é alta porque não há confiança no governo'', observa. O economista acrescenta que o investimento público brasileiro é de apenas 0,5% do Produto Interno Bruto, enquanto em outros países esse índice chega aos 4%. No entanto, a pior distorção, como afirma Mologni, é com o câmbio.
A cotação do dólar, na casa dos R$ 2,15, deveria ser de cerca de R$ 3. ''Dólar baixo prejudica a produção nacional porque teoricamente entram no País mercadorias mais baratas do que as produzidas aqui. Isso afeta o mercado interno, o emprego e prejudicam as exportações'', acrescenta o economista. As importações, de acordo com ele, deveriam ser estimuladas somente de mercadorias e produtos não fabricados no País. Outro ponto importante é a abundância de crédito ao consumidor, disponibilizado através de altas taxas de juros.
''Nesse caso o problema é o spread bancário. Os lucros recordes dos bancos ocorrem sob patrocínio do Banco Central. Os clientes têm que reclamar das tarifas bancárias e não dos juros pagos. Além disso, esse pagamento de juros empobrece ainda mais a classe média'', observa Mologni. Por fim, ele lembra que anualmente há a entrada de cerca de 3 milhões de jovens no mercado de trabalho, mão-de-obra que muitas vezes não é absorvida. ''Se não houver um equilíbrio destes pontos esses jovens não vão conseguir emprego, a renda per capita não irá subir e não haverá crescimento econômico'', afirma.

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