Desenvolvimento do Norte do PR surpreende vice-ministro alemão
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sábado, 22 de dezembro de 2001
Sílvio Oricolli<br>De Rolândia 
Há 11 anos sem visitar a região, Caio Koch-Weser, vice-ministro das Finanças da Alemanha, disse que ficou muito impressionado com o desenvolvimento da agricultura no norte do Paraná, uma atividade bem organizada e diferente do tempo em que viveu na região. ''O café se foi, mas uma cultura de cultivo intensivo e bem avançado surgiu, com altos índices de produtividade na região, contribuindo para o desenvolvimento do Brasil'', diz. Koch-Weser, que esteve em Rolândia para receber o título de cidadão honorário na última quinta-feira,
comentou que percebeu a preocupação de se promover atividades econômicas sustentadas na região. ''O desenvolvimento extensivo das últimas fronteiras, no mundo todo, acabou-se. E, por isso, me parece que uma consciência ecológica, será muito importante no futuro'', disse Weser, que tem nacionalidade brasileira e alemã. Segundo ele, há problemas de desequilíbrio ambiental em todas as regiões brasileiras, como também em outros países, o que o faz vislumbrar a possibilidade do norte do Paraná mostrar ao resto do País como conciliar produtividade com sustentabilidade.
Disse ainda que ficou impressionado com a industrialização na região de Londrina. E, para ele, o Paraná, com a política do governo Jaime Lerner e o que ficou claro em encontros de empresários que participam da comissão mista Brasil-Alemanha, realizados em Curitiba, deve continuar recebendo investimentos de empresas alemãs no futuro. Até o momento, 154 empresas já se instalaram na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).''O projeto é ver como podemos trazer mais investimentos alemães para o estado, como ocorreu em Minas Gerais, São Paulo e em outras partes do País '', ressaltou.
De modo geral, o Brasil, na avaliação de Koch-Weser, ''está andando bem. A administração Fernando Henrique Cardoso, com sua política de estabilização da economia do País, tem feito um bom trabalho''. O vice-ministro diz ainda que a crise de energia elétrica e as atitudes acerca da sucessão presidencial do próximo ano precisam ser levados em conta quando se formula as políticas para o futuro.''Mas o Brasil está indo bem'', avalia, acrescentando que esta situação se reflete nos mercados internacional de capital, pois o risco da grave crise argentina contagiar a economia brasileira é muito menor, do que era há quatro anos, quando tivemos a crise originada na Ásia Oriental.
Segundo Koch-Weser, o Brasil depois da crise de 1997/98 adotou o regime de flutuação do dólar, o que não ocorreu na Argentina, onde predomina a paridade. ''Mas a experiência no mundo todo mostra que nos países onde existe a flutuação cambial, estão melhor do que naqueles onde existe uma rota fixa.'' E argumenta que, aparentemente, o País fez tudo bem, incluindo a área fiscal e o setor da administração pública. ''Parece que foi um ano difícil, com certos custos sociais. No entanto, os dados fundamentais da economia foram melhores que os da Argentina, neste ano'', enfatiza. Destaca ainda que a dívida é fator que distingue os dois países: as exportações brasileiras contribuiram para equilibrar a balança de pagamentos, ao passo que o país vizinho terá dificuldades para saldar os compromissos.


