Desenvolvimento depende de união
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terça-feira, 18 de agosto de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba O desenvolvimento deve partir de uma união do empreendedorismo do governo, da iniciativa privada e do cidadão. O analista político Augusto de Franco defende a interação entre as três partes tendo como premissa fundamental a inovação. Para ele, é o desenvolvimento que gera o dinheiro e não o contrário. O especialista participou ontem do Congresso Paranaense da Indústria realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) que foi realizado em Curitiba e reuniu mais de mil pessoas entre empresários, prefeitos, representantes do poder público e dirigentes de sindicatos empresariais de todo o Paraná.
Para ele, um dos erros mais comuns da atualidade é o padrão de relação entre o Estado a sociedade. As pessoas não podem esperar que o Estado vá resolver os problemas, até porque tem um orçamento limitado e o desenvolvimento não é solucionar problemas, disse.
Franco acredita que a incapacidade de desenvolvimento está ligada ainda ao problema de as empresas não investirem em inovação. A crise financeira mundial foi um dos acontecimentos que levou as pessoas a criarem mais. Segundo ele, é preciso encontrar uma maneira de navegar durante as crises. Neste último ano, alguns setores foram favorecidos mesmo com os problemas econômicos como os setores de cosméticos e alimentos.
A crise é um momento de criação. Sem crise não tem mudança. As pessoas não têm que olhar para este momento como uma epidemia, uma coisa avassaladora que vai nos derrubar. A crise é um estímulo para o desenvolvimento, destacou o analista.
Ele alertou que as pessoas precisam estar preparadas para enfrentar um mundo com mudanças aceleradas e turbulento. A inovação é a saída. E não adianta só contratar um técnico novo, comprar um software. A inovação passa por novos processos de gestão de produção, de governança e novas metodologias sociais, afirmou.
Na opinião de Augusto Franco, as cidades vão virar atores importantes de primeira grandeza no mundo e não mais os países. Cada cidade tem que ter a governança do seu próprio desenvolvimento, destacou.
O prefeito de Palotina Luiz Ernesto de Giacometti disse que a integração entre iniciativa privada, poder público e sociedade civil é fundamental para o desenvolvimento. Não há como trabalhar isoladamente, afirmou. O presidente da fábrica de fogões e geladeiras Atlas, Cláudio Petrycoski, também considera esse interação entre as três partes uma ideia muito positiva. Precisamos ter um denominador comum para ter o desenvolvimento local, disse o diretor da Coelho Engenharia de Londrina, Clóvis Coelho. A articulação entre o setor público, privado e a sociedade civil é uma condição essencial para o desenvolvimento, disse o presidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures.
Emprego
O analista político disse ainda que o modelo do empregão emprego com carteira assinada não é muito sustentável. Segundo ele, dentro de alguns anos, a sociedade terá alguns empregados, mas deve aumentar o número de empreendedores. Para Augusto Franco, o
trabalho vai ter múltiplas formas e o emprego não vai mais ser o único sistema predominante.


