Desenvolvimento da agroenergia depende de investimentos
O Brasil vive um impasse na agroenergia. Apesar de o Pro-Álcool ser um dos programas mais eficientes do mundo de energia renovável, o Brasil pode ficar atrás desta ''onda verde'' se não forem feitos pesados investimentos em tecnologia e pesquisas. Essa é a avaliação do professor Carlos Eduardo de Freitas Vian, coordenador do curso de Economia da Esalq/USP, que foi discutida ontem no Congresso da Sober.
''Seremos eternos produtores de matéria-prima se não forem feitos investimentos. É hora de pensar em uma política tecnológica neste sentido'', afirmou. Segundo ele, os Estados Unidos estão desenvolvendo pesquisa de hidrólise (produção de álcool) a partir do bagaço de qualquer tipo de produto, até mesmo do lixo doméstico. Os experimentos ainda estariam em escala laboratorial, não feitos em grande escala.
Além disso, não há como dimensionar os programas de etanol desenvolvido nos países vizinhos - como Equador, Venezuela, Colômbia e Argentina -que também estariam investindo no plantio de cana-de-açúcar. ''Hoje são feitos investimentos na produção agrícola, não em tecnologia. Por exemplo, a mecanização da cana e a tecnologia dos carros flex está nas mãos de montadoras multinacionais'', disse o professor.
O programa de biodiesel brasileiro também estaria em fase inicial. Apesar dos altos custos, as plantas com maior teor de óleo - dendê e pinhão manso - ainda não são produzidas em escala industrial. ''Assim como o Pro-Álcool exigiu 30 anos de pesquisas o biodiesel também precisa de experimentos e vai precisar de subsídios'', observou Vian. (F.M.)





