Desemprego volta a crescer e atinge 8,2%
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quarta-feira, 01 de julho de 1998
Das agências 
A taxa de desemprego aberto em maio foi a segunda pior da história deste indicador, criado em maio de 1982: alcançou 8,20%, resultado superior ao de abril (7,94%) e ao de maio do ano passado (6%). As informações foram divulgadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que faz a pesquisa em seis regiões metropolitanas (Rio, São Paulo, Recife, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre). Até agora, a taxa mais alta de desemprego tinha sido de 8,28%, apurada em maio de 1984.
Em São Paulo, o desemprego chegou a 9,11%, ao passo que em abril registrara 8,56% e em maio de 97, 6,90%. A situação mostrou-se mais grave no Recife, com taxa de desemprego de 9,75%, e em Salvador, com 9,62%.
A População Economicamente Ativa (PEA) das seis regiões, formada pelas pessoas que trabalham e pelas desempregadas buscando emprego ativamente, aumentou 2,5% em relação a maio de 97, em decorrência do crescimento de 40,2% na quantidade de trabalhadores procurando emprego. Em relação a maio de 97, mais 438,437 mil pessoas entraram no mercado de trabalho, das quais 420,720 mil estavam procurando trabalho.
Segundo os técnicos do IBGE, os resultados médios dos cinco primeiros meses do ano mostram estabilidade no número de pessoas ocupadas e um aumento significativo em contingentes à procura de trabalho. Com isso, a taxa média de desemprego no período, de 7,79%, ficou bem acima da registrada nos cinco primeiros meses de 1997 (5,68%).
Neste mesmo período, o tempo médio de procura de trabalho sem interrupção elevou-se em cinco das seis regiões metropolitanas pesquisadas. Em Salvador, de janeiro a maio de 97 o trabalhador consumia 19,65 semanas para encontrar emprego, tempo que aumentou para 23,95 semanas no mesmo período deste ano; em Belo Horizonte, passou-se de 10,27 semanas para 12,37; no Rio, de 16,36 para 22,31; em São Saulo, de 17,89 para 23,13; e em Porto Alegre, de 15,71 para 17,43 semanas. Houve estabilidade apenas no Recife, com o indicador em 14,04 semanas.
De março para abril o rendimento médio real (descontada a inflação) das pessoas procurando trabalho caiu 1,2%, mas aumentou 0,4% no confronto com abril do ano passado. Por setores de atividade, de um ano para o outro, os empregados do setor de serviços tiveram aumento de rendimento de 2,4% e os da indústria de transformação, de 0,4%. Para a construção civil e o comércio, as variações foram negativas (-13,6% e -5,1%).
Para o ministro do Trabalho, Edward Amadeo, os dados divulgados ontem pelo IBGE relativos ao mês de maio configuram uma estabilização da taxa de desemprego no patamar elevado alcançado no início deste ano. Ele destacou que, embora a elevação dos juros e a desaceleração da economia tenham provocado o fechamento de 562 mil postos de trabalho de novembro de 97 a fevereiro de 98, houve uma recuperação nos últimos meses. De março a maio deste ano, foram abertos 407 mil empregos, segundo ele.
De acordo com Amadeo, portanto, não houve redução do emprego em maio. O que houve foi um aumento da PEA (população economicamente ativa). E a PEA está crescendo por dois motivos. Um deles, de ordem demográfica, porque a população está crescendo. O outro é porque há a decisão de mais pessoas entrarem no mercado.
O ministro afirmou acreditar que o mercado de trabalho dá sinais de revitalização. O desemprego vai cair um a dois pontos percentuais e deve chegar a 6% ou 7% no final do ano. Segundo ele, o desemprego já estará menor antes mesmo das eleições, em outubro.


