Desemprego tende a diminuir, diz gerente do Sine
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terça-feira, 02 de dezembro de 2003
Osmani Costa<br> Reportagem Local 
O ano que está terminando não foi dos melhores para quase todos os setores da economia brasileira. A recessão mostrou suas características mais cruéis notadamente no primeiro semestre, quando se aprofundou o índice de desemprego que já era grave no ano passado nas principais regiões metropolitanas do País. O quadro mais crítico foi registrado na grande São Paulo, onde quase 2 milhões de pessoas mais de 20% da população economicamente ativa (PEA) ficaram sem ocupação formal.
Em Londrina, o quadro do desemprego não chegou a números tão assustadores, apesar de também ser ainda preocupante. De acordo com dados do Ministério do Trabalho (MTb), que mapeia o setor através de informações oficiais das empresas, no período mais agudo da crise nos meses de maio e junho , o desemprego atingia na cidade 11,7% da PEA; algo em torno de 25 mil pessoas.
Os dados do MTb disponíveis são de janeiro a julho, porque só retornam a Londrina cerca de 90 dias depois de coletados. Mesmo sem números atualizados o gerente da Agência do Trabalhador (antigo Sine) na cidade, Mauro Viecili, avalia que com base nos dados positivos de criação de postos de trabalho ante as demissões nos últimos meses o nível de desemprego deve ter baixado para aproximadamente 9,5% da PEA.
''A situação atual não é boa, mas já foi pior. E em relação aos grandes centros do País, até que Londrina tem uma situação razoável. E as perspectivas para o próximo ano são de melhoras, porque todos os indicadores da economia apontam para o fim da recessão e a volta do crescimento'', comenta Viecili.
De acordo com o levantamento de fluxo de mão-de-obra do Ministério do Trabalho, de janeiro a julho deste ano foram registradas em Londrina 32.158 admissões contra 30.775 demissões; tendo havido portanto uma criação de 1.383 novas vagas. A maioria delas (1.214) foram criadas no setor de empresas prestadoras de serviços; com destaque para as de serviços médicos, adontológicos e veterinários, que demitiram 1.041 pessoas mas contrataram outras 1.681 e tiveram o saldo positivo de 640 novos empregos.
O pior desempenho foi o da construção civil, que admitiu 2.996 trabalhadores e demitiu outros 3.328; tendo portanto fechado os sete primeiros meses do ano com um saldo negativo de 332 vagas fechadas. ''De agosto para cá a situação melhorou e quase todos os setores, de maneira geral, voltaram a contratar mais que demitir. Inclusive a construção civil, por causa dos grandes condomínios fechados e da retomada da construção de casas populares pela Cohab; além de obras de saneamento da Sanepar e asfaltamento de bairros por empresas contratadas pela prefeitura'', explica Viecili.
Segundo ele, nos últimos meses os setores que mais têm contratado em seguida à construção civil são os da indústria têxtil, do comércio em geral com destaque para supermercados, de serviços principalmente empresas de telecomunicações , e de ensino.
''As maiores dificuldades para a colocação das pessoas no mercado estão concentradas em duas faixas: jovens de 16 a 24 anos que buscam sem primeiro emprego, e trabalhadores recém-demitidos com mais de 38 anos de idade. Os primeiros, enfrentam a falta de experiência apesar de às vezes já terem terminado a faculdade ; e os outros têm deficiência de requalificação profissional. As empresas fizeram a substituição da mão-de-obra. Demitiram os mais velhos e contrataram trabalhadores mais novos, em alguns casos por salários menores, e com melhor qualificação'', conta o gerente da Agência do Trabalhador.
Para enfrentar a falta de qualificação da mão-de-obra, o órgão tem investido em convênios com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), Senac, prefeitura por meio da Secretaria de Ação Social, Ipolon, e sindicatos patronais e de trabalhadores em cursos e treinamentos para pessoas empregadas sob risco de desemprego e para já desempregados que recebem algum tipo de recurso social do governo. Os primeiros 18 cursos, com 350 vagas, em caráter de emergência, começaram em de novembro e vão até 31 de janeiro.


