Desemprego tem pior taxa desde março de 2002
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quinta-feira, 26 de junho de 2003
Jacqueline Farid<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro O mercado de trabalho piorou em maio, com aumento na taxa de desemprego e queda significativa na renda dos ocupados. Dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontaram que a desocupação atingiu 12,8% no mês, a maior taxa desde março de 2002. A queda no rendimento médio dos trabalhadores também foi histórica: 14,7% em maio em relação a igual mês do ano passado, a menor renda apurada pelo instituto desde o início da série, em outubro de 2001.
O salário médio real (descontada a inflação do período) encolheu R$ 145 em um ano. Este valor representa, hoje, mais da metade do salário mínimo em vigor no País, de R$ 240. Em maio do ano passado, a renda média do trabalhador atingia R$ 985,86 e, no mesmo mês deste ano, era de R$ 841. ''Os trabalhadores estão perdendo o poder de barganha'', avalia o gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo Pereira.
''Esses dados refletem o fundo do poço da economia a que chegamos no final deste semestre'', avalia o professor do Ibmec Business School, Ruy Quintans. Segundo ele, a recuperação da economia, que deverá ocorrer a partir de agora, será lenta e não terá reflexo sobre o emprego até setembro.
O levantamento do mercado de trabalho nas seis principais regiões metropolitanas do País mostrou que não estão sendo criadas vagas suficientes para absorver o aumento na procura por emprego. Em maio, a ocupação cresceu 5,5% ante igual mês do ano passado, o que significa o acréscimo de 950 mil vagas.
Por outro lado, os desocupados (não trabalham mas procuram emprego) aumentaram 15,4% no período, com o ingresso de 360 mil pessoas na fila do emprego. Ou seja, mesmo com a abertura de novos postos, milhares de pessoas ainda ficaram sem ocupação.
Além disso, segundo Pereira, está ocorrendo uma desaceleração no ritmo da ocupação, enquanto a desocupação prossegue em trajetória ascendente. A informalidade também continua crescendo, com aumento de 6,9% no número de trabalhadores sem carteira assinada e de 8% nos que trabalham por conta própria em maio contra igual mês de 2002. O emprego com carteira cresceu em taxa bem inferior (3,2%) no período.
''O panorama econômico que está levando o trabalhador a perder o poder de barganha acaba estimulando a criatividade e as pessoas buscam atividades de renda mais baixa, inclusive no mercado informal'', analisa o gerente da pesquisa.
A retração da renda está provocando também o fenômeno de diminuição da população não economicamente ativa (fora do mercado de trabalho). Desde maio do ano passado, 520 mil pessoas voltaram ao mercado, para trabalhar ou lutar por uma vaga.


