O Brasil atingiu a maior taxa de desemprego da série histórica iniciada em 2012 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem. A economia nacional, que caminha aos "trancos e barrancos", continua implacável: a taxa de desocupação no trimestre móvel encerrado em outubro de 2015 foi estimada em 9% - ou 9,1 milhões de pessoas desempregadas -, alta de 38,3% (em torno de 2,5 milhões de trabalhadores) em comparativo ao mesmo período do mesmo trimestre de 2014.
Já a população ocupada (92,3 milhões de pessoas) permaneceu estabilizada tanto em comparativo ao trimestre anterior (mai-jun-jul/2015), como no que diz respeito ao mesmo período de 2014. O número de empregados com carteira assinada recuou 3,2% (menos 1,2 milhão de pessoas) frente a igual trimestre de 2014. O rendimento médio real recebido em todos os trabalhos, no valor de R$ 1.895, ficou um pouco abaixo dos R$ 1.914 do período anterior. Se a indústria geral perdeu em torno de 750 mil trabalhadores em um ano – só para citar um dos segmentos afetados (veja o quadro) – o único dado positivo foi o "boom" dos trabalhadores domésticos. "Neste caso, temos hoje no País 200 mil trabalhadores domésticos a mais e isso é justificado pelas alterações de estrutura neste tipo de mercado nos últimos anos", explicou o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, em entrevista coletiva.

PARANÁ
A Pnad não divulgou números estaduais nesta publicação, mas baseado em pesquisas anteriores e tendências de mercado é possível dizer que os números negativos são um pouco mais amenos no Paraná, porém ainda drásticos. A taxa de desocupação do Estado é cerca de 30% menor e atualmente fica na faixa de 6%. "Outubro geralmente é um mês em que o desemprego diminui, mas não foi o que aconteceu desta vez. O Natal foi muito fraco e o Estado, como o restante do País, tem sofrido com o aumento de desempregados em função da atividade econômica arrefecida", salientou o consultor econômico especialista no assunto, Cid Cordeiro.
Um dos pontos mais importantes da pesquisa, segundo ele, é que a população economicamente ativa (PEA) subiu significativamente num curto espaço de tempo. Com o aumento de desemprego e diminuição da renda familiar per capita, outros membros da família precisam enfrentar o mercado de trabalho e, como não encontram trabalho, acabam engrossando as estatísticas de desempregados. "Em tempos de economia equilibrada, a PEA é absorvida naturalmente. Quando há recessão, ela ingressa em maior volume e já desempregada".
Para os próximos meses, a projeção do consultor é ruim. Ele acredita que ainda no primeiro trimestre de 2016 o número de desempregados deverá atingir a marca de dois dígitos, ou seja, acima de 10 milhões de pessoas. "Temos visto que o número de pessoas com carteira de trabalho assinada tem caído e, consequentemente, o emprego informal aumenta". Os empregadores e trabalhadores por conta própria registraram 5,7% e 4,2% de acréscimo, respectivamente, em seus contingentes, frente ao mesmo trimestre do ano anterior.

Imagem ilustrativa da imagem Desemprego tem maior taxa desde 2012 no País
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