Desemprego tem a maior taxa desde 83
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sexta-feira, 31 de julho de 1998
Agência Folha 
O desemprego médio do primeiro semestre de 1998 atingiu 7,81% da força de trabalho. O resultado é o mais alto já apurado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesse período do ano, nos últimos 15 anos. A taxa de junho, para as seis regiões metropolitanas pesquisadas, foi de 7,9% da força de trabalho - um ligeiro recuo em relação à de maio (8,2%), reflexo dos resultados de quatro das seis regiões. Salvador e Belo Horizonte apresentaram ligeiro acréscimo. Em São Paulo, o índice médio do primeiro semestre ainda fica acima da média nacional: 8,74%.
O ministro Edward Amadeo (Trabalho) se disse muito satisfeito com a queda. Afirmou manter um otimismo cauteloso em relação ao índice de desemprego para os próximos meses. A análise do IBGE é que a taxa de desemprego poderá apresentar ainda pequenas oscilações, para mais ou para menos, até outubro, quando começam a ser observados os efeitos sazonais do fim do ano, com a redução do número de desempregados no mercado.
O que se espera é que o patamar do desemprego este ano fique bem acima do nível registrado em 97, de 5,66%, segundo a coordenadora da equipe de análise do IBGE, Shyrlene Ramos de Souza. Amadeo disse ainda que a privatização do Sistema Telebrás, que emprega mais de 90 mil pessoas, não deverá acarretar grandes impactos no índice de desemprego. Investimentos na área de prestação de serviços, ao longo dos próximos dois ou três meses, disse, compensarão os enxugamentos.
No primeiro semestre, a média estimada para o número de desempregados ficou em 1,37 milhão de pessoas, contra menos de 1 milhão no mesmo período de 97. A força de trabalho cresceu 2% no primeiro semestre deste ano, em função da pressão da população à procura de trabalho. Foi justamente uma redução de 0,7% da força de trabalho, a PEA (População Economicamente Ativa), que puxou o índice de desemprego para baixo em junho. A PEA é composta pelas pessoas ocupadas ou procurando emprego.
O ministro citou a queda no número de pessoas em busca de trabalho (-66 mil) como um dos destaques da pesquisa mensal. Ocorre que caiu também o contingente ocupado (-51 mil). Isso, segundo o IBGE, não é um bom sinal, porque as pessoas que desistiram de procurar trabalho não estão necessariamente empregadas, o que pode ser reflexo de desemprego por desalento (quando as pessoas desistem de procurar trabalho).
Medidas recentes como a redução da alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e das taxas básicas dos juros, a níveis inferiores aos registrados antes da crise asiática, deverão surtir efeitos positivos no mercado de trabalho. Analistas do instituto lembram, no entanto, que setores propensos a ser beneficiados pela queda no IOF, como o automobilístico, estão com estoques altos. A geração de emprego, nesse caso, depende de um aquecimento do comércio que faça com que a indústria volte a produzir e a contratar.


