Arquivo FolhaHá vagasA construção civil foi o setor com maior crescimento no desemprego: 9,2%A taxa de desemprego em março atingiu 8,18%, o segundo maior índice já registrado no País na série histórica da pesquisa iniciada em 1982. A maior taxa foi registrada em maio de 1984, quando bateu nos 8,28%. O resultado de março, apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que 1,449 milhão de pessoas estavam à procura de trabalho nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE na semana anterior à pesquisa - um contingente superior aos 1,281 milhão de pessoas sem emprego em fevereiro, quando a taxa foi de 7,42%. A População Economicamente Ativa (PEA), que serve de base para o cálculo do desemprego, aumentou 2,6% em março, em função do crescimento do número de pessoas trabalhando (1,8%) e do número de pessoas procurando trabalho (13,1%).
O desemprego na indústria, de 9,67%, e no setor de serviços, de 6,42%, registrou recordes em março passado. Mas foi a área de construção civil que apresentou o maior o crescimento do número de desempregados, passando de 8,1% em fevereiro para 9,27% em março. Os dados do IBGE demonstram, ainda, que o montante de pessoas procurando trabalho cresceu 39,5% de março de 1997 a março deste ano. A taxa de desemprego sobe para 8,93% se for levado em conta as pessoas ouvidas pelo IBGE que estavam à procura de trabalho um mês antes da pesquisa.
Com o resultado de março, a taxa média do primeiro trimestre do ano ficou em 7,62%, ante os 5,55% do mesmo período de 1997. A chefe do departamento de análise do IBGE, Shyrlene Ramos de Souza, observou que a taxa de abril deverá apresentar uma pequena variação em relação à de março, mas ela não se arriscou a prever se o desemprego vai aumentar ou diminuir. ‘‘Nos últimos quatro anos, a taxa caiu em abril em relação a março, mas neste ano, não posso fazer previsões’’, disse Shyrlene. ‘‘Mas como este é um ano eleitoral, acredito que a partir do segundo semestre o desemprego começará a cair.’’
Nem todos os resultados da pesquisa do IBGE são negativos. Apesar do índice recorde de desemprego na indústria de transformação, o número de pessoas trabalhando no setor e em serviços aumentou 2,5% em março. Esses dados revelam o início de uma reativação da atividade industrial. Já o comércio registrou uma queda de 0,7% e o contingente de trabalhadores na construção civil manteve-se praticamente estável.
O rendimento médio real das pessoas ocupadas, de janeiro para fevereiro deste ano, caiu 1,2%. Entre as principais categorias de ocupação, as variações foram de 0,8% para os empregados com carteira de trabalho assinada e de -4,3% para os empregados sem carteira de trabalho assinada. O rendimento das pessoas que trabalharam por conta própria não apresentou variação significativa.

mockup